Página de Walter Eudes

29/10/2009

EM TORNO DA I CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE CULTURA DE LIMOEIRO-PE

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 03:43

O segmento de arte e cultura de Limoeiro viveu um momento histórico neste mês de outubro de 2009. Realizou-se dia 16 do mesmo a I Conferência Municipal de Cultura de Limoeiro, evento que vem acontecendo em centenas de cidades brasileiras já há alguns anos, uma conquista do setor referendada pela Constituição de 1988 quando assegura maior participação da sociedade civil em gerência ou no mínimo voz para com os interesses coletivos geridos pelos poderes públicos constituídos, em especial o executivo, seja municipal, estadual ou federal. Conferência aliás que se soma a outras conferências de vários setores do Brasil, que resulta em Conselhos municipais e estaduais (aqui em Limoeiro já temos atuante o do Menor e do Adolescente, o da Saúde). É forma de gerir e dialogar os interesses coletivos primada pela democracia, onde fica mais fácil administrar as diferenças que há em todo coletivo, e fica bem mais fácil, eficaz e participativo, quando o poder público toma suas decisões embasados em diálogos, debates, estudos de cada setor. Note-se que continua soberano a cima de tudo o poder público devidamente eleito, mas é referência os atores e o conteúdo de cada setor específico da sociedade organizada. Então que Limoeiro vivenciou sua experiência participativa no campo cultural, artístico. Pairou no dia da conferência, ao menos para as pessoas mais conscientes daquele momento histórico local, um misto de euforia e lamúria. Explico. Ora, se não euforia por poder falar e ser ouvido, poder discutir, poder opinar, expressar a partir de suas experiências, de suas vivências qual e quais melhores estratégias deveriam nortear o chefe do executivo para a cultura? Como nosso legislativo municipal deveria atender a classe do setor? O que ela, a classe artística e cultural, gente que vive disso, ou ao menos faz de tudo pra viver de fazer arte e cultura queria, precisa e pode! Mas vem uma lamúria intensa quando aprofundamos a consciência da importância desta reunião: por que não antes? Há alguns anos atrás? Sofremos quando nos deparamos que nada nos faltava, ou pouco nos faltava há alguns anos, talvez a dois mandatos executivos/legislativos para este momento acontecer. Não precisava demorar tanto! Se você estivesse no auditório da FACAL no dia 16 você veria quase uma centena de pessoas unidas em prol de um mesmo objetivo: fortalecer a cultura, a arte. E de uma forma civilizada a cima de tudo, respeitando as diferenças, sem aquele atrazo histórico que viveu o Brasil inteiro quando não podia se discordar, quando não podia se confrontar democraticamente e que Limoeiro esticou para a década de 90, quando até mesmo pensamentos estéticos diferentes eram ressachados por quem geria a cultura em sua esfera pública, gente que se achava donos do poder (o poder vem do povo e para ele vai!). Compete a reflexão e o aprofundamento da situação daqueles que estiveram em condições de administrar uma conferência como esta, que ainda desfrutamos de seu sucesso e não o fizeram. Porque não queremos que se repita nem em Limoeiro, nem em Pernambuco e nem no Brasil o descaso com a liberdade de arte e expressão, o “cala a boca”, a censura, a falta de apoio às artes e artistas que adotam uma postura mais transformadora que conservadora. Façamos uma reflexão aprofundada dos últimos 10, 15 ou 20 anos de vida pública, quando já em plena democracia, os artistas locais nunca tiveram vez e quando o tinham lhes era dada uma participação apendiciosa geralmente para servirem de chacota a gentes que atribuem arte como o refino da vida material, elitista, uma classe reduzida de limoeirenses, pouca gente mesmo que se considerava os cultos e civilizados em detrimento de uma classe de ampla maioria que lhes devia favores e trabalho unicamente. É assim que se faz história, com ardor, sofrimento e luta… E esta vitória, que só começou em Limoeiro é fruto compartilhado de décadas de lutas de muita gente espalhada pelo Brasil e mundo em que se forçou o respeito às diferenças, às minorias, à liberdade de expressão, à criatividade. São milhares de brasileiros, pernambucanos e tatos limoeirenses os responsáveis pelos momentos mais brilhantes de nossa conferência municipal, quando sem receio e sem ofensa fez-se debates de diferenças, inda incipientes claro (tudo é novidade para nós) mas com respeito pela voz e pensamento do oponente, do colega. Daí que em assembléia soberana, formada por todos os delegados presentes, fazia-se votação e elegia-se qual estratégia deveríamos apresentar a nossos representantes eleitos.Também muita paixão pelas idéias e ideais foi externado. Uma vivência plena de democracia, de repita-se, civilidade e cultura elevada de organização coletiva. Daí que muitas são as lições deste momento, em que nesta breve resenha findamos com dois aspectos significativos: um é que terminou por ser bom, a meu ver, a ausência de pessoas de grande expressão cultural na cidade, ou mesmo grupo inteiro de arte e cultura que se ausentou da conferência, nem sequer a mandar um representante. Ora, foi bom poder conhecer quem quer usar o nome de Limoeiro-PE por aí, se apresentando como referência artística/cultural da cidade e quando é pra pensar no coletivo, em coletivo e para o coletivo fogem… gente que tem há vários e vários anos arrematando verbas, público e confiança de políticos e empresários em nome de Limoeiro e quando é pra discutir este mesmo Limoeiro não dão as caras!? Nem sequer mandam uma representação? Porque, e unicamente porque NUNCA estiveram interessados em Limoeiro mesmo e sim em seus interesses pessoais e de seus pequenos, restritos, fechados grupos. Cai o pano! Um outro aspecto que merece atenção especial, repita-se mais uma vez, dentre muitos, é o fato de termos um Secretário de Cultura que ousou estabelecer o princípio democrático para a classe específica e para a população, que tem entre acertos e tropeços, como é natural no aprender a caminhar democraticamente, estado de portas e ouvidos abertos para todos os interessados em ver o poder público como responsável em gerir a cultura municipal e não de grupo A ou B. Daí que Radamés Moura finda por ser arauto de um novo tempo que só está iniciando, e teve competência junto com sua reduzida equipe da secretaria de cultura em realizar a I Conferência Municipal de Cultura de Limoeiro que foi coroada de pleno êxito neste novo tempo para a cultura e arte limoeirense. Festejemos os artistas, gestores, produtores e toda a população… é possível! a dignidade, criatividade, cultura e arte do limoeirense como um todo está em boas perspectivas. É possível tempos melhores para todos!

Por: Walter Eudes – Comunicador Social, com atuação na arte em: poesia, cinema crítica – delegado da I Conferência Municipal de Cultura de Limoeiro – eleito por assembléia como Conselheiro Municipal de Cultura do setor Audiovisual – Outubro de 2009

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