Página de Walter Eudes

30/11/2009

Taquaritinga do Norte, de esperança farta e forte

Filed under: 1 — waltereudes @ 04:02

Vi tua gente aguerrida, a lutar por berço esplendido.
A querer sonhar então com um futuro que virá, cheio de bonança e paz pela luta do agora
Vi tuas densas matas verdes, d’esperança aguerrida
a saudar um novo tempo que se faz a cada instante.

Vi o riso de tua gente de acolhida afetuosa, a dizer-me franco e claro:
minha Oasis do Agreste, me acolhei sempre e sempre,
dai-me forças no viver dos teus altos matagais
pois te quero a cada instante, minha terra, nada mais

Walter Eudes – agosto de 2009
em estada de trabalhos junto a FUNDARPE – Festival Pernambuco Nação Cultural – Agreste Setentrional – Taquaritinga do Norte-PE

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Crônica de carnaval – uma proposta de estudo sócio-cultural em Limoeiro-PE

Filed under: 1 — waltereudes @ 03:47

Na crônica a baixo, uma reflexão sobre o carnval brasileiro como um todo e de carnavais ou da ausência de crnaval em muitos lugares do mesmo Brasil tomando como exemplo a cidade de Limoeiro – PE

uma proposta de estudo sócio-cultural em Limoeiro-PE

O carnaval brasileiro

É o carnaval, acima de qualquer questionamento a expressão cultural coletiva que mais sintetiza as características do que se chama de brasilidade, ou seja, a identidade cultural do brasileiro, reflexo de sua formação, de sua história, de suas venturas e desventuras. E é o carnaval que mais expressa no exterior do país a noção de brasilidade, ou simplesmente do ser brasileiro. Veja-se os clichês já cristalizados na cultura internacional do Brasil: samba, frevo, festa de rua tropical, com muita gente suando ao calor de sol forte, corpos bronzeados e com pouca roupa, a beleza e erotismo da cor morena, o corpo tropical belo, o riso a cima de tudo, a alegria principalmente. E se há de se reclamar ao futebol forte característica de brasilidade, assinale-se que há povos, países que fazem hoje um futebol tão bom ou vezes melhor que o brasileiro. Mas carnaval nos trópicos, ainda não há povo que o faça como no Brasil, mesmo que arremedando. Aprofundemos o entendimento do que é o carnaval, saindo dos clichês, vamos encontrar a construção musical do frevo, de difícil execução, mais ainda de criação, porém bem tocada e abundantemente bem composta por inúmeros artistas identificados com esta estética genuinamente brasileira; da dança frevo, da dança samba, outro rol de originalidade, beleza e reconhecimento de qualquer povo do mundo como sendo cultura própria e distinta de qualquer outra na face e na história da humanidade, influenciada, parida por outras culturas claro, mas sem dúvida distinta, primeira nos trópicos americanos. Mais: maracatu, caboclinho, bumba-meu-boi, afoxé, etc. cada qual com sua complexidade peculiar, extraídas da formação e história de sua gente que a faz.

E, no que talvez seja o de mais importante a destacar nesta proposta de conceito de carnaval, a mescla harmônica de culturas e gentes. Um bloco de carnaval é, considero, a expressão máxima do que se entende por ser a “benéfica brasileira” de harmonia social: gentes de várias origens étnicas, sociais, econômicas, culturais, educacionais, a se nivelarem por igual num festejo coletivo, frenético, alegre pacífico em tendência, também tropical. E para soltar o derradeiro ingrediente desta mistura incrível, cite-se a criatividade e ampla liberdade de expressão como marca significativa dos foliões, dos carnavalescos.
Aí que, esta festa já consagrada de brasilidade é estratégica para todas as forças sociais que concorrem-se no Brasil. Ora, lhes é vital a referência ao carnaval, seja pelo apelo que causa no exterior ou pela identificação coletiva que causa no interior da nação. Vamos observar inclusive qual força cultural, ideológica, econômica e política domina uma coletividade específica no Brasil levando em conta quem faz o carnaval, como é o carnaval daquele lugar específico, daquela gente específica. Claro, não em todo o Brasil, mas nos brasis que já alcançaram alto grau de brasilidade ativa, em nosso foco, Pernambuco, com tema específico a cidade de Limoeiro.

O carnaval limoeirense

Nesta dada população, neste dado espaço geográfico e político, vemos um carnaval praticamente inexistente. O grande carnaval mesmo não há. Há apenas isoladas manifestações de poucas comunidades residenciais que se organizam-se em blocos de rua pequenos ou em agremiações típicas como caboclinhos, bumba-meu-boi. Não há em fim uma “folia” de três dias consecutivos, há algumas horas p[align=center]or dia apenas destinadas ao carnaval. Importante: não há maracatu, seja rural ou nação, apesar de haver lastro cultural para isso, não há muito menos afoxé algum. Estranha o fato, uma vez haver na cidade uma classe trabalhadora rural, inclusive ligada à cana-de-açúcar, cultura agrária do maracatu rural; há uma forte herança negra de escravos aqui trazidos deixando larga descendência e legado que vemos em inúmeros hábitos locais, hoje tropicalmente brasileiros. Veja-se que este cronista, no carnaval 2009 esteve em Limoeiro e não desfrutou de orquestra de frevo durante turno noturno em nenhum dos três dias e o que havia era um palco com banda de música a executar composições comerciais do universo dos mass mídia unicamente. Forte expressão vê-se somente no caboclinho que resiste como única tradição conservada e renovada com talvez meia dúzia de agremiações competentes, porém em raras e apressadas apresentações.

Vemos interesses de repressão e ostracionismo do traço cultural dito: o da brasilidade. Numa intenção observável de manutenção de um statos quo que é mesmo cheio de valores rechaçáveis desta mesma prática de cultura quando bem executada: o carnaval brasileiro. Cultura esta que encontrou por exemplo, no bloco de frevo de rua, ou no cortejo de maracatu, uma alegria e força neste mesmo Brasil reprimida por mais de 300 anos: não só a liberdade do escravo negro, mas sua[/align] cidadania nacional reconhecida. Ainda pulsa inconsciente e coletivamente em qualquer bloco de frevo de rua hoje em dia esta expressão de alegria: “sou livre!”, “sou brasileiro!” Aí que em Limoeiro, bem como outros locais, ainda perdura uma força escravista, de forma moderna a preferir esta população específica sem uma consciência nacional e histórica, sem uma identidade coletiva que lhe unte força de povo, de massa. É uma força que domina que quer, como é dito na região, “cabrestear” o indivíduo e o povo. De fato, pessoas conscientes de seu legado cultural e histórico estão mais altivos e não se permitem serem facilmente dominados por castas ou elites, como faz as elites locais de Limoeiro e seus adeptos agregados espalhados por todo tecido social.
Se não, veja uma das poucas manifestações aprovadas e estimuladas pela cultura dominante, veja a força de ruralismo arcaico, de manditismo do poder herdado dos senhores de engenho a serem como deuses em seus feudos: veja o costume das Kalus – fantasia de brincante travestido de montador, metade gente, metade burro – de chicote na mão sendo-lhe sua principal tônica com força bruta chicotear o chão a produzir forte estampido a exigir temor e subserviência, não poucas vezes é este estampido de chicote junto a pés de outros brincantes, também alguma vezes na própria carne de outros a deixar marca por anos provocando de imediato dor intensa, uma chicotada. É herança clara dos poderios rurais para com seus escravos e subordinados: pura dominação, puro exercício de poder na força bruta. E o Mateu? Outra expressão que bastante difundida e numerosa que sinaliza também o pensamento hegemônico social dominante: raro não se apresentar em típica brutalidade, com varas pontiagudas e ameaçadora a quem quer que seja! Batendo a vara contra o chão violentamente, estampindo bexigas de boi amarradas na ponta das lanças, impõem um terror e/ou temor que as vezes é desafiado por alguns foliões mais afoitos e provocadores que é logo perseguido pelo mateu em larga careira. Não raro, não raro mesmo o mateu acertar a lança com veemência nestes foliões provocadores causando-lhes ferimentos dolorosos e necessários de intervenção médica. Em Limoeiro, assim como outro lugares que mantém estas tradições de carnaval antigo, rural, arcaico e bruto, não há ano em que não haja brigas seríssimas em plena via pública entre mateu e folião provocador, mesmo entre mateu e mateu, findando algumas destas brigas em escoriações graves de confronto corpo-a-corpo e as vezes surgem juras de morte, havendo relatos de concretização de tais juras. Assinale-se nestas duas populares formas de brincantes pernambucanas/limoeirenses a máscara pintada ou industrializada ou mesmo artesanal que conduz o espectador sempre ao temor, nunca à beleza ou à criatividade bela e genial. Nesta configuração foliã de âmbito ruralístico arcaico, feudal, ainda vemos dezenas e dezenas de foliões caracterizados de catirinas, mateus, kalus, ursos e tantos outros manifestações a esmolar. É raríssimo, raríssimo mesmo o brincante que não esmola. Chega a ser irritante o assédio destes brincantes em geral crianças e adolescentes mas também adultos novos e maduros. De modo que estando a pedir um trocado denunciam uma dupla realidade: a de serem de fato paupérrimos economicamente e de pulsarem nas suas inconsciências, se não em almas, seus ancestrais ex-escravos que inundaram cidades de todo o Brasil após Lei Áurea a compor uma enorme massa de desempregados, famintos, pedintes que persiste até hoje…

Pois que é transferido do passado brasileiro à pós-modernidade do país, do mundo estritamente rural ao urbano, ou no melhor dizer de Freyre, mundo “rurbano”, transferido o totalitarismo, a concentração de poder e de renda, um neo-escravismo. Uma ideologia que acontece no carnaval e perdura por todo o ano. Ora se é o carnaval o palco de fato do resultado de todo um jogo social, como a uma catarse de um ano de batalhas, bem como um prenúncio do ano vindouro, é nesta manifestação de massa, a mais ampla brasileira, que projeta-se qual relacionamento deve-se ter no ano que se segue e qual teve-se no ano anterior. Em Limoeiro, também em outros centros populacionais é uma perpetuação de um modelo social, que favorece a uma casta, a uma reduzida elite e seus agregados, um modelo pautado no manditismo, na dominação do povo, num neo-escravismo.
Daí que no carnaval limoeirense os brincantes de agremiações são mais bem quistos pelo grau da força bruta que demonstram, da força física que apresentam, do cansaço que externam, quase nunca, ou mesmo nunca pela a alegria de sua faces, criatividade de suas fantasias, de suas máscaras, de seus passos. Não lhes é costume o riso largo de satisfação, de expressão clara do já dito: sou brasileiro/a, sou civilizado/a, civilização esta, diga-se de intenso ludicismo, de intensa alegria, de intensa criatividade. É-lhe costume o rosto sisudo, de esforço, de raiva, de dor.
Persiste aqui e ali, em Limoeiro ao certo, este modelo carnavalesco cruel, de pura dominação do povo, das massas, a reprimir talvez o que seja seu maior reclame de dignidade, a altivez que lhe confere igualdade em qualquer instancia dentro deste país, independente de qual classe econômica pertença, de qual etnia descenda em primazia, de qual grau instrucional, de qual credo, de qual ideologia. E, infelizmente, não há estímulos de novas referências para com o carnaval, para que a grande massa possa superar este modelo arcaico. Ela mesma, a massa populacional, não concebe outra forma da qual pratica há décadas.

É notório a quem interessa este modelo de carnaval, e vai continuar esta classe dominante insistindo nesta prática, nesta gestão carnavalesca, junto a seus agregados espalhados por todo tecido social a fim de manter seus privilégios, benefícios e mútua-irresponsabilidade com o legado histórico e cultural brasileiro, pernambucano…
Uma chance clara de conferir dignidade, alegria e altivez a este povo neo-escravizado de limoeiro e outros lugares é despertar-lhe a força cultural que eles tem, estampando-lhes um riso raro de alegria, força e paz, coisa já feita em diversos lugares de Pernambuco e Brasil, inclusive em alguns de nossos interiores.

Por: Walter Eudes – Bacharel Comunicador Social Radialista pernambucano em 26 de fevereiro de 2009

20 ANOS DO CURSO DE RÁDIO E TV EM PERNAMBUCO

Filed under: 1 — waltereudes @ 03:45
Este ano de 2009 marca os 20 (vinte) anos da aula inaugural do curso de Rádio e TV da UFPE. A partir de uma demanda estabelecida em décadas anteriores, todo o país passa a criar cursos universitários nesta área específica da comunicação social vindo a UFPE ser uma das primeiras instituições do nordeste a estabelecer o curso, antigamente chamado de Radialismo, mas já voltado à formação de profissionais da área de rádio e TV. É comum a inauguração de novos cursos superiores por região nacional e o curso de Rádio e TV já deixou de ser uma raridade nas ofertas de cursos superiores de universidades e faculdades de todo o Brasil. O tempo provou o acerto desta criação acadêmica que nos primeiros anos sofreu certo desdém por parte de áreas irmãs e primas, refiro-me ao jornalismo, publicidade, letras, artes, etc. Se no primeiro vestibular para Rádio e TV houve alguns alunos da turma que foram aprovados para cursa-lo porquê não tinham nota satisfatória para opções anteriores, hoje, e já faz alguns anos, é um dos cursos de maior disputa nos vestibulares pernambucanos. Um reflexo do dinamismo social, político e econômico que não pode mais em hipótese alguma enxergar as comunicações de massa como sendo apenas coadjuvante no cenário social e sim decisiva e determinante nos rumos de uma sociedade, chegando em certas situações a ter postura de comando e/ou orientação de toda uma população.
De formação eclética em sua base, o profissional de Rádio e TV é alguém que tem o importantíssimo e poderoso papel de definir regras, modelos, formatos, tônicas, objetivos, forma e conteúdo de um serviço de amplitude impressionante e estratégico para o bom ou mau funcionamento de qualquer sociedade inserida hoje dentro do globo terrestre: a programação do rádio e da TV. Formas de comunicação e integração, diga-se que ignora diferenças muitas vezes extremas de seu público participante, diferenças de ordens sociais, econômicas, culturais, educacionais, religiosas, ideológicas, etc. A todos chega-se as mesmas ondas de radiodifusão… Da mesma forma é alheia a diferenças individuais, como a situar num mesmo plano, gentes condicionadas a limitações físicas, tais como visuais e motoras com pessoas a desfrutarem suas plenitudes bio-humanas. Mas tem-se configurado um avanço significativo nas tecnologias mundiais em que este potencial destinado ao rádio e a TV sofre a cada tempo sensíveis modificações. Com um número bem maior de canais de TV’s e rádios abertas que há décadas atrás, primórdios do profissionalismo radialístico, soma-se hoje uma grande quantidade de TV’s por satélite e outras fechadas por assinatura. Uma realidade que subverte os antigos conceitos estabelecidos à postura de um profissional do Rádio e TV. Cabe a este profissional em pauta, o/a bacharel radialista, cientificar todo um emaranhado de interesses sempre mutantes e imprevisíveis, onde concorrem no mínimo: obrigações de um estado de direito, mercado econômico, ética profissional, necessidade comunicativa de massa, tecnologias novas, e sempre a levar em conta que a comunicação humana em essência pouco mudou em toda a história da humanidade, que atendemos necessidades muitas vezes vitais do dia-a-dia de todos e que estão há ao menos 30.000 anos sendo praticadas pelos seres humanos. Objetiva a comunicação humana em essência um mútuo entendimento das partes, daí pra quê é outra coisa, mas seu requisito mínimo essencial é o mútuo entendimento. Ao profissional de Rádio e TV, que tem opção humanista e solidária com o Brasil e sua gente, cabe a denúncia de vivermos absurdamente monopólios ridículos de mídia que emperram a capacidade comunicativa do Brasil e dos diversos brasis nele contido. Parabéns a todos colegas de escola e escolas, de profissão, aos professores e funcionários do curso de Rádio e TV da UFPE, em especial os fundadores do curso, quase todos comunicólogos oriundos do CECOSNE, mais especialmente a um dos principais responsáveis pela instalação do curso na UFPE, quando de seus trâmites burocráticos há mais de 20 anos atrás o professor, ator e radialista José Mário Austragésilo.
Walter Eudes
Comunicador Social – Bel em Rádio e TV
waltereudes@correios.net.br

DIREÇÃO DE CENA EM UM AUDIOVISUAL, IMPRESCINDÍVEL E SIMPLES

Filed under: 1 — waltereudes @ 03:45

Das funções presentes na realização audiovisual, destacamos nesta resenha a direção de cena. É uma atividade que como as demais, está em consonância com o objetivo traçado, inicialmente pelo autor-roteirista, seguindo pelo diretor. Duas, unicamente duas estratégias diferentes sugerimos para desenvolver tal atividade:
a) dirigir cena para não-atores
b) dirigir cena para atores

Após repassada a cena com toda equipe no momento do SET, distribuído o(s) posicionamento(s) da(s) câmera(s), efetiva-se todo ajuste final de iluminação, áudio para então fazer-se presente no set o diretor de fotografia que irá, a partir do objetivo do diretor (que por sua vez já busca do autor-roteirista) compor a imagem. É somente após o trabalho de definição fotográfica que o diretor de cena faz-se presente no set. É assim pois, uma após a outra que cada diretor faz seus ajustes, interdependentes e solos, até o último: o diretor geral, que irá analisar o trabalho de cada um, fazer comentários, rejeitar e/ou aprovar cada item de cena e após tudo checado dar o OK para gravação.
Mas a direção de cena é das funções a mais proveitosa de não causar nem discórdias em set, nem sequer perda ou atraso de tempo. Ora, a cena pode-se ser toda prevista, analisada, ela é, em geral, realizada com gente, motivo que pode ser subjetivada e, se for o caso, milimetricamente medida. Não é assim quando por exemplo, vamos fazer uma externa e o tempo é imprevisível em exatidão, precisamos ajustar todo um plano pré-estabelecido. Se, por exemplo, em tempo levemente nublado, de dia na manhã, queremos dar em um plano geral um foco em uma árvore do meio tropical, considerando as variações de fabricante de equipamento, ou seja, após fazer-mos a compensação da luminosidade do país origem do fabricante , adequando ao meio tropical, poderíamos ter-mos decidido assinalar a sombra da copa da árvore no final do tronco, deixando este campo um tanto oculto na captação, ficando a base do tronco, junto com possíveis raízes em maior definição, daí: V; 250 d: 8 (para uma referência de película em DINE 20). Se a previsão é acertada, utilize-se o plano traçado. Como não, um outro plano que deve ser previamente pensado. Portanto que o estudo da fotografia prévio em nada é parecido com a encenação. A encenação não muda em forma alguma, não seja óbito ou convalescença dos personagens. O trabalho do diretor de cena portanto é mais anterior que em momento. Para esta função, um bom arcabouço teatral e comunicativo, que vai de história da estética do teatro antigo e moderno até o potencial jornalístico da entrevista (quando da coleta de depoimentos a não-atores).

Walter Eudes, julho de 2008.

Espaço público cinematográfico (SET em espaços públicos)

Filed under: 1 — waltereudes @ 03:43

Pode existir um SET público no cinema? Ora, qualquer imagem captada passa a ter um autor (autores) e este(s) o decide se virá a ser de cunho público ou privado. Mas o espaço público ao ser captado vem a ser obrigatoriamente imagem pública? Não. Uma fachada de um edifício público por exemplo, quando captada não transfere o caráter público a sua imagem, a não ser, claro, que decida o autor torna-la pública. Mas o que dizer do espaço por natureza pública que passa a se transformar em motivo temático ao realizador audiovisual privado? Como proceder ante ao conflito do que é público vir a se tornar, num momento de SET um interesse particular? Daí a natureza da industria cinematográfica em recriar ambientes complexos de convivência pública em estúdios particulares a fim, entre outras coisas , de salvaguardo da autoria particular bem como do livre usufruto coletivo de espaço público.
Cabe ao realizador audiovisual conquistar a concessão de direito de privatizar a imagem do espaço público e de estar presente neste último encenando sua empreitada audiovisual. Mas como fazer valer tal (aparente) paradoxo? Ao nosso ver, a única forma de alcançar o público com a propriedade de manipula-lo em intenções estéticas cinematográfica é tornar-se o realizador também público primeiramente. Após então, reclamar à coletividade freqüentadora do espaço o direito ético e jurídico de captar-lhe imagem. Por quê? Porque ele (o realizador) é também coletividade/público daquele espaço, é-lhe direito usufruir-lhe desde que com responsabilidade e propriedade! Mas se um outro persona lhe quer cecear seu direito de usufruir da imagem/espaço público alegando não consentimento? Argumentando que mesmo pela natureza pública é, a este segundo sujeito, o direito de recusa do que também lhe pertence e este, não permite, resiste ao trato cinematográfico particular do dito espaço público?
Ora, haja uma legislação que redija tal conflito! Que venha conciliar diferentes motivações dum mesmo ambiente. Na era pós moderna o debate jurídico-estético do audiovisual, da imagem é imprescindível para deslanchar-mos os potenciais e limites tanto da urbes e sócios atuais quanto da tecnologia e profissionalismo existente. O que não pode é não aprofundar este entre outros debates ao tempo de se fazer uma vasta realização em imagens estáticas ou em movimento. Para tentar dar pistas de um possível sucesso sem conflitos neste tipo de realização, o SET no espaço público, sugiro reflexão de basicamente três aspectos indispensáveis:
*ser também público a tônica da obra, ter um ou mais indivíduos do grande público e de público de direito, seja este indivíduo foco de trabalho e/ou realizador.
*De forma alguma privatizar o público, sempre resguardando o direito como fundamento social, reconhecendo que o que é público até decisão judiciária competente será sempre público, portanto não cabe ao particular.
*Admitir constantemente e impreterivelmente a provável impossibilidade de não realização da obra visual ou áudio-visual almejada ou parte dela e, em muitos casos, preferir a não executa-la em detrimento de valores coletivos significativos, como por exemplo o que é um bem muito maior que qualquer obra de arte: a liberdade de ir e vir.

W.E. 2008

Filed under: 1 — waltereudes @ 03:41

Em vez então de partir para a medição de força, para o confronto, consciente de que alguns danos são irreparáveis, optamos então pelo cientificismo aplicado que traz a razão analítica social como estratégia praticamente unânime de contribuição a melhoria dos dinamismos sociais,.
Concebemos então uma mídia responsável , consciente e comprometida. E claro, esta reflexão estende-se a outros organismos sociais como escolas, sindicatos, partidos políticos, agremiações culturais, associações civis, cargos públicos, toda sorte de instituições em fim que atuam no social e que por sinal a mídia grande ou pequena esta a serviço.
Compete estes esclarecimentos a fim de que respeite-se a intelectualidade como força decisiva num andamento social, e que ao intelectual fora dos circuitos de práxis, convém aplicar-lhe o filtro da consciência histórica, para entender que ele/ela tem se esforçado em protelar sua atuação ao tempo de uma sociedade mais esclarecida de si mesma e de sua formação, onde sua obra, a do intelectual, do cientista,do artista, não cause conflitos inevitáveis entre forças e interesses sociais diversos e divergentes, que antes concorra a racionalidade e o bom senso, que o amadurecimento social surja com o reconhecimento dos acertos, erros e excessos do passado e com as necessidades, potencialidades e limitações do presente. São muita gente conscientes de que seus empenhos causam aguda inquietação social, não por trazerem em seu bojo características de caoticidades, mas por denunciar em si mesmo um já estabelecido desequilíbrio social que tem-se mantido omisso, mascarado e inquestionável pelas forças dominantes de nossa era, e também por atestar a força transformadora contida nos indivíduos e sociedades pós–modernas.
(…)
Mas é um exemplo notório entre tantos que a história apresenta do que pode estar reservado ao intelectual, ao artista, ao cientista, ao repórter… ao sujeito atuante em fim que compromete-se com as reais demandas de seu tempo.
Walter Eudes – 2006

100 ANOS DO GÊNIO JOSUÉ

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 03:37

Ao entrarmos em contato coma obra de Josué de Castro surge-nos ao tempo de um encantamento e orgulho, uma forte melancolia. Orgulho por ser este cientista aclamado no mundo inteiro, um brasileiro, nordestino, pernambucano. Natural de uma das zonas de subdesenvolvimento do planeta: a América Latina, cheia de famintos, de gente raquítica, crianças buchudas e de canelas finas, dos sertões de seca do Nordeste, dos homens-caranguejo subnutridos… Portanto, Josué, um erudito que fez de seu talento, instrumento de retratar seu mundo, sua gente sofrida, sofrimento secular, sem proteínas suficientes, nem vitaminas, nem minerais e daí doenças, doenças da fome que dizimam e continuam dizimando milhões de seres humanos a cada era. Orgulho de ter como conterrâneo um estudioso que puxou o véu da hipocrisia humana num dos seus temas mais cruéis, que sempre evitamos, mas não há mais razão pra evitar: a FOME e fome coletiva, de grandes contingentes populacionais, fome que mata, deforma, adoece…
Encanta a obra do gênio pela sua lucidez e pelo teor rigorosíssimo de ciência. É obra objetiva que às vezes não queremos crer, mas está provado densamente que o descalabro da fome é evitável, que os altos poderes políticos das grandes nações desenvolvidas insistem em ignorar o tema, que há condições de se ter alimentos no planeta pra suprir bem as demandas nutricionais de toda população diariamente, que o poder econômico emperra as ações de combate à fome na sua gana de expansão e acumulação em detrimento da distribuição.
Então é inevitável a melancolia. Quando vemos hoje, em nossa geografia, a fome presente. Sem carecer de nos compadecermos com fomes de outros cantos, daqui mesmo, das metrópoles brasileiras com seus bolsões de miséria e desemprego, da área da mata açucareira a empobrecer o solo tropical com sua covarde monocultura secular, sem espaço pra roça de subsistência, gerando gente subnutrida ou faminta, dos campos de latifúndios criando gado pra exportação e as gentes destes mesmos campos sem acesso a estas mesmas carnes, migrando para as cidades para mendigar, passar fome, se criminalizar.
Mas há uma outra melancolia da qual padecemos juntos com a celebração dos 100 anos de nascimento de Josué de Castro, que nos toma a alma e nos leva a um estado de intensa tristeza aguda, tal qual a um faminto de comida. Ao tomarmos pé do legado e vida de Josué nos deparamos com uma verdade dolorosa sobre sua obra e sua pessoa: banidos! Desde 1964, até hoje, 2008 padecemos nós brasileiros de uma fome urgente: fome de Josué de Castro. No exílio talvez ele vislumbrasse que sua obra e sua pessoa voltassem a serem respeitadas em seu amado país como foi na França, Inglaterra, Itália, Estados Unidos, antiga Rússia, China, Japão, entre outros países. Sofremos ainda hoje deste descalabro inacreditável deste país imenso, belo e faminto: a obra de quem talvez tenha sido seu maior gênio está oculta. Nos remetamos a 1973, exílio de Josué na França: sua melancolia em ser banido é nossa melancolia hoje em ele não ser lido, não ser estudado, reverenciado e aplicado em seu próprio país. Resta saber até quando assistiremos a agonia de Josué, pois durará até que nossos governantes e instituições o resgatem e cesse assim este jejum que está nos consumindo há mais de 30 anos.

W.E. – 2008

26/11/2009

SOBRE QUESTÕES SOCIAIS PREOCUPANTES E COMO ABORDA-LAS

Filed under: 1 — waltereudes @ 04:17

É de se abismar ao posicionamento de algumas pessoas “pensantes” do viver cotidiano a se portarem como que a “salvadoras”  dos bons modos, bons costumes, a terem a onipotência de estarem com as soluções para problemas complexos que não são solucionados em definitivo em qualquer lugar do mundo neste início de século. Não mesmo que seja demasiado diferente de um centro civilizatório qualquer, problemas sociais grandiosos de outro centro civilizatório distantíssimo, até mesmo em outro continente, com cultura, economia, política diferente, mas o problema é o mesmo, sem solução imediata a vista, a fazer muitas vítimas diretas e indiretas. São assuntos de extrema complexidade social como prostituição infantil, violência letal a jovens, uso de drogas ilícitas perigosíssimas, racismo, xenofobismo, exclusão econômica, etc. Há quem se sensibilize pelos problemas e que de alguma forma procure somar a uma melhora. Mas há quem acha ter a solução. Pessoas que tomam as conseqüências de toda uma desestruturação social como o problema em si. Muitas vezes praticam uma política de exclusão, preconceito, marginalização, perseguição e censura a outras gentes vitimadas por um forte desequilibro social de fossos densos na economia, política, ideologias, religiões, cultura… tudo em crise! E as vezes esta ideologia através de algumas destas pessoas, ganha força em condições favoráveis a seus interesses e agem de forma ativa no tecido institucional social. Um grande risco para justo as vítimas do já dito desajuste social, pois, os excluídos e marginalizados passam a serem os alvos prediletos de pessoas notadamente de ideologia elitista, ultra-moralista e até mesmo de cunho fascista.

Na prostituição infantil vemos um exemplo claro de como complexo é a matéria. Vemos que a prática da prostituição infantil é fruto/consequência de fatos preliminares os quais os hipócritas de plantão insistem em ignorar, seja por preguiça de apurar as reais causas, por incompetência, ou mesmo por formação reacionária de base preconceituosa excludente, marginalizadora. Abordam os efeitos e ignoram as causas. Porque o tecido social civilizatório detentor de perspectivas enaltecedoras a dignidade humana faltou e falta a muita gente, que por sua vez tornar-se presas fáceis de perigosos vícios e atitudes sempre presente numa sociedade plural e em crise. Veja o exemplo da falta de um bom lazer noturno para jovens e adolescentes em diversos centros urbanos pós-modernos; veja o preconceito social e econômico sendo praticado e ensinado nas camadas sociais de mais ou melhor poder aquisitivo; veja o imaginário coletivo das classes médias de que “no morro é onde estão os bandidos”; veja a falta de trabalho, de emprego remunerado para os jovens e adolescentes atenderem as expectativas que uma classe dominante lhes fomentou como modelo de juventude – uma vida estimulada ao hedonismo, de consumismo, de shows, noitadas e baladas, uma juventude vivida sim, por jovens e adolescentes de classe média, classe alta, até mesmo em classe baixa, estimulada pela mídia em especial, que o jovem sem poder aquisitivo, sem emprego não a vive como vive muitos outros em boates, viagens, baladas, grifes de roupas, adquirindo bens duráveis caros ou muito caros. Nestes poucos aspectos-causas, pode-se ter uma idéia do que leva-se a situações como a prostituição infantil acontecerem na prática. Some-se ainda uma escolarização precária e instituições estatais mais a perseguir, censurar, punir que curar, educar, (re) socializar, some-se inanição e carências alimentares…

Note-se que aqueles grupos ideológicos ou pessoas individualmente que defendem em atacar os efeitos sem verem as causas ainda erram ao dissociar de suas práticas a afetividade em vários ângulos. Em hipótese alguma consideram a possibilidade de construir uma sociedade melhor com o afeto em pauta. Ora, assim, problemas que são gravíssimos tornam-se praticamente insolúveis por que mesmo há agentes sociais que querem na verdade extirpar da sociedade as vítimas dos problemas, fazerem mesmo uma “limpeza moral e social”, a julgarem que em se livrando das seqüelas sociais escondem suas faltas de responsabilidades e competência com todo o tecido social e as funções que ocupam do gerir social. É prática já rechaçada pela história ocidental, particularmente pela Europa do médio século XX!! Infelizmente é pensamento forte e articulado em alguns núcleos sociais o pensar acima descrito. Daí que resulta num desespero grandioso a quem tem perspectivas de minimização de graves questões sociais sem aplicar em prioridade ou somente a repressão, a censura, a perseguição…

Pois que, ao ver de muitas outras forças sociais e de muita gente atuante, é preciso a coragem de aprofundar-se na realidade antes de reclamar poder de voz a ela. É preciso compreensão minuciosa das causas das seqüelas que tanto incomoda a tanta gente. É preciso enxergar a vida em degradação como conseqüência de uma deterioração anterior, a da sociedade em que se está inserida uma coletividade pautada em valores poucos solidários, materialistas ao extremo, de que o indivíduo passa a ter, por exemplo, reconhecimento pela posse financeira bem mais que por outros aspectos humanos. É necessário encontrar soluções ou tentar implementar ações no nascedouro dos problemas, por exemplo quebrar um verdadeiro “aparthaid” social entre os de posse econômica e os miseráveis ou pobres. Porque se assemelhará na melhor das hipóteses como onipotente as ações sociais de pessoas totalmente desprovidas de compaixão e entendimento das problemáticas atuais como um todo.

Há grupos e indivíduos que, conscientes do fosso social em que estamos inseridos não se perdem em propostas inaceitáveis e já rechaçadas pela história, não correm o risco de aplicarem estratégias já comprovadas como ineficazes, porque se lançaram previamente corajosamente ao entendimento da realidade tal qual ela é, numa postura que de fato é para poucas pessoas dado o ônus que traz a verdadeira consciência, o ônus de ter que assumir como seus, de seu tempo e de sua coletividade, como seus repita-se, dificuldades enormes, questões gravíssimas como algumas citadas acima e não apenas tomando tais questões como problemas do outro.

Mas, o que podemos fazer para um grupo específico social que tanto é citado como dos mais frágeis em nossa era, os jovens e adolescentes? Como combater a falta de perspectivas a que eles são historicamente condicionados a assumir? Que alternativas podemos lhes oferecer???

Por:  Walter Eudes – comunicador social brasileiro -novembro de 2009 – waltereudes@correios.net.br

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