Página de Walter Eudes

30/11/2009

Espaço público cinematográfico (SET em espaços públicos)

Filed under: 1 — waltereudes @ 03:43

Pode existir um SET público no cinema? Ora, qualquer imagem captada passa a ter um autor (autores) e este(s) o decide se virá a ser de cunho público ou privado. Mas o espaço público ao ser captado vem a ser obrigatoriamente imagem pública? Não. Uma fachada de um edifício público por exemplo, quando captada não transfere o caráter público a sua imagem, a não ser, claro, que decida o autor torna-la pública. Mas o que dizer do espaço por natureza pública que passa a se transformar em motivo temático ao realizador audiovisual privado? Como proceder ante ao conflito do que é público vir a se tornar, num momento de SET um interesse particular? Daí a natureza da industria cinematográfica em recriar ambientes complexos de convivência pública em estúdios particulares a fim, entre outras coisas , de salvaguardo da autoria particular bem como do livre usufruto coletivo de espaço público.
Cabe ao realizador audiovisual conquistar a concessão de direito de privatizar a imagem do espaço público e de estar presente neste último encenando sua empreitada audiovisual. Mas como fazer valer tal (aparente) paradoxo? Ao nosso ver, a única forma de alcançar o público com a propriedade de manipula-lo em intenções estéticas cinematográfica é tornar-se o realizador também público primeiramente. Após então, reclamar à coletividade freqüentadora do espaço o direito ético e jurídico de captar-lhe imagem. Por quê? Porque ele (o realizador) é também coletividade/público daquele espaço, é-lhe direito usufruir-lhe desde que com responsabilidade e propriedade! Mas se um outro persona lhe quer cecear seu direito de usufruir da imagem/espaço público alegando não consentimento? Argumentando que mesmo pela natureza pública é, a este segundo sujeito, o direito de recusa do que também lhe pertence e este, não permite, resiste ao trato cinematográfico particular do dito espaço público?
Ora, haja uma legislação que redija tal conflito! Que venha conciliar diferentes motivações dum mesmo ambiente. Na era pós moderna o debate jurídico-estético do audiovisual, da imagem é imprescindível para deslanchar-mos os potenciais e limites tanto da urbes e sócios atuais quanto da tecnologia e profissionalismo existente. O que não pode é não aprofundar este entre outros debates ao tempo de se fazer uma vasta realização em imagens estáticas ou em movimento. Para tentar dar pistas de um possível sucesso sem conflitos neste tipo de realização, o SET no espaço público, sugiro reflexão de basicamente três aspectos indispensáveis:
*ser também público a tônica da obra, ter um ou mais indivíduos do grande público e de público de direito, seja este indivíduo foco de trabalho e/ou realizador.
*De forma alguma privatizar o público, sempre resguardando o direito como fundamento social, reconhecendo que o que é público até decisão judiciária competente será sempre público, portanto não cabe ao particular.
*Admitir constantemente e impreterivelmente a provável impossibilidade de não realização da obra visual ou áudio-visual almejada ou parte dela e, em muitos casos, preferir a não executa-la em detrimento de valores coletivos significativos, como por exemplo o que é um bem muito maior que qualquer obra de arte: a liberdade de ir e vir.

W.E. 2008

Anúncios

Deixe um comentário »

Nenhum comentário ainda.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário, crítica ou sugestão.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: