Página de Walter Eudes

08/02/2010

Ação da prefeitura inquieta populares no centro da cidade de Limoeiro-PE

Filed under: 1 — waltereudes @ 05:23

A Prefeitura Municipal de Limoeiro resolve “dar um jeito” no centro da cidade, quer melhorar, quer deixa-lo em um requinte raro a dar gosto a todos os limoeirenses e visitantes. Bom! O problema é a que custo e de que forma…

Em ação recente, dia 23 de janeiro, em plena festa de São Sebastião, a maior festa de rua da cidade, forte policiamento fez cumprir lei municipal de 1984, que prevê livre trânsito de pedestre em vias destinadas aos mesmos. Traduz-se em impedir o uso de calçadas para outros fins a não ser o de trânsito de pedestres. Daí, policiamento municipal com o devido apoio da Polícia Militar a simplesmente dar um ultimato a quem está a ferir esta norma municipal. Foram alvo inicial desta ação alguns pontos comerciais da praça da Bandeira, destacamos as lanchonete O Madrugão – quem não conhece esta? Está há alguns anos comercializando lanches e bebidas na esquina do Colombo com a Severino Pinheiro, aquela mesma, que fica com várias cadeiras ocupando parte da calçada lateral ao Colombo. Outros dois ou três pontos comerciais do ramo de lanches e bebidas tiveram que recuar em suas expansões e cumpriram com o que pede as autoridades municipais. Aí perguntamos: será que é esta a vontade da população? E será mesmo desta forma que se resolve o problema do livre trânsito nas calçadas? Desta forma assim: em plena festa na cidade, gerando danos materiais aos estabelecimentos que há alguns anos comercializam livremente no local? Diga-se, de forma ordeira e comum ao setor; gerando alguns empregos diretos e outros indiretos! Alguns tentam se adaptar à nova situação, outros pensam em desistir por falta de condições mesmo de se adaptar. Aí que perguntamos se é isso mesmo que quer a população: medida drástica e coaciva a uma situação que está ferindo na verdade um pequeno grupo de cidadãos limoeirenses; um pequeno grupo que não sabe o que é beco estreito, rua de terra batida, rua de degrau, casa uma por cima da outra, ou seja, gente que acostumou-se  com um certo luxo urbanístico e se incomoda quando ocupam seus espaços coletivos mais nobres. Porque por mais que neguem é isto que está por traz de tudo: não admitem compartilhar a “beleza” que é o seu cartão postal principal, a Pça da Bandeira com pessoas saídas da periferia, a se divertirem tomando sua cerveja decentemente na praça. Por mais que apresentem argumentos negativos vê-se a ojeriza que atribuem a estes estabelecimentos populares, de clientela em sua maioria de trabalhadores populares de baixa renda. Note-se, poucos são os incomodados com um pequeno trecho de calçada semi-obstruída a partir de 21 ou 22hs. São poucos incomodados porém que detém muitas vezes as rédeas sociais e de poder de expressão a aí reclamam suas vontades a fazendo-as valer. A maioria da população em Limoeiro, aquela que não compartilha de certo modo de vida mais abastardo, elitista e aristocrático, seja por destino ou sábia opção, não se incomoda tanto com as calçadas ocupadas parcialmente, já são costumados com pouco espaço de lazer coletivo na cidade, em seus bairros que não dispõem de áreas coletivas, acostumados em se espremer em becos e subir degraus pra chegar em casa, também acostumados a transitar junto a meio-fil nas ruas de classe média ou mesmo populares, com suas cadeiras nas calçadas servindo de refresco à noites quentes de moradores, vizinhos e amigos, um bate-papo, um jogo de dominó ou baralho, um namoro.

E

sta na verdade sendo imposto em Limoeiro um modelo de sociedade que prima por um aristocratismo caduco, falido e já superado, inclusive com revival de personas e instituições quase que superadas, como por exemplo a enaltação ao Sr. Chico Heráclio, coronel de araque e de ação na cidade tida por muitos cidadãos como reprovável – estão querendo impor uma ridícula situação de imaculação para a controvérsia personalidade histórica local. Atente-se esta minoria, esta duas dúzias de gentes, que não há como conter a vontade popular e que é perda de tempo fazer como querem: o principal cartão postal da cidade, a praça da Bandeira se tornar um paraíso. Ou se libertam deste romantismo babaca ou vão adentrar na história local como pessoas que foram omissas ante a questões desesperadoras de nossa época presente, questões que estão ceifando vidas e destruindo famílias num piscar de olhos e que cada um pode começar a somar-se em reverter ou minimizar. Por acaso não é a sociedade pós-moderna problemática socialmente, doente, desigual, excludente!? Que tal compreendermos a praça não como um cartão postal e sim como um espelho de nossa cidade? Evoco Castro Alves a reclamar que “A praça é do povo assim como céu é do condor!” E se temos em Limoeiro e fora dele forças sociais e pessoais que procuram se sintonizar com o povo desta cidade, principalmente com sua maioria populacional, gente de luta, de sofrimento econômico muitas vezes, de limitação educacional, porém gente digna, não tem outra: Limoeiro? Ame-o ou deixe-o!

por: Walter Eudes  –  Limoeiro-PE –  comunicador social

Janeiro de 2010  –  ano centenário da Revolta da Chibata     –    ano centenário da morte de Joaquim Nabuco.

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