Página de Walter Eudes

18/03/2010

Porque estamos fazendo história…

Filed under: 1 — waltereudes @ 04:25

Não há luta coletiva que não resulte em transformação social. No âmbito das lutas libertárias os esforços às vezes transpassam gerações até a conquista sublime, a vitória almejada. Do nosso Brasil, do nosso Pernambuco, este ano de 2010 nos lembra entre muitas e muitas pautas uma em destaque: nossa herança escravista. Este ano celebra-se o centenário de morte de quem talvez tenha sido o maior vulto abolicionista da história brasileira: Joaquim Nabuco. Persona que dedicou-se aguerridamente em causa libertária, por questão coletiva, a uma pauta tri-secular. Hoje, lembrar este político, reverenciar sua trajetória de vida é honrar a benéfica herança política pernambucana e brasileira, bem como combater a maléfica herança da escravidão que ecoa em seqüelas ainda hoje. Façamos nossa parte, nós que dispomos de algum meio a reverenciar Nabuco, porque lembrar o passado em suas bonanças ou mazelas é também fazer história. Vislumbremos a possibilidade de um futuro melhor à nossa coletividade atravéz dos esforços no tempo presente com compreensão do passado. Reavivar a memória de Nabuco, bem como fazer leitura de sua luta na atualidade, especialmente interpretando os ecos da escravidão, reconhecendo as seqüelas da mesma, é nos pormos em contundentes e esperançosos esforços de um país, de uma gente liberta e respeitada em sua dignidade. O próprio Nabuco percebeu que a causa abolicionista não parava na burocracia assinada pela Imperatriz Regente. Notou ele que se estenderia a escravidão em conceitos, em relações sociais, em falta de oportunidade no país, em todos os âmbitos, a escravos e descendentes destes. Assinalou ainda que a única forma de reverter o percurso da escravidão seria como que re-conceitualizar  todos os organismos sociais que estiveram a aplica-la em suas estruturas, algumas por mais de três séculos. Entramos no século XXI com este tabu histórico cada vez mais escondido e intocável e também com estruturas sociais, institucionais, políticas, econômicas e culturais em nosso país com resquícios de pensamentos escravocratas. Rompemos há pouco mais de 100 anos os vergonhosos grilhões da escravidão. Quantos anos ainda nos faltam para rompermos outros grilhões, os da inconsciência? Salve Nabuco!

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