Página de Walter Eudes

24/09/2011

ILUSTRE FORASTEIRO – conto breve (a dois poetas: Jor Santana e Ciço Gato)

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 22:22

Acudam! Acudam! Ele vem vindo…

Era assim que alguns cidadãos se alarmavam com a chegada sutil e impactante daquela figura cativante. Em idos coloniais, aquele tipo esguio, de fala mansa e riso largo não poupava ninguém que lhe cruzasse o caminho, ou melhor, nenhuma. Isso mesmo! Ao tempo de seu refino trato social, um refinadíssimo linguajar que sempre agradava em cheio as mulheres de sua rota. Havia já algum tempo, certo tipo similar andou por estas paragens e deu-se conta que manteve em três vilarejos distintos, cinco, talvez seis esposas e concubinas, uma prova que de fato, além de sua intensa disposição, não lhe faltavam atributos de perfeito galanteador. Dizem também que é só lenda o alarme de alguns pais e irmãos mais cautelosos quando à chegada do ilustre e querido visitante. A prestar imenso serviço àquela sociedade, que dele extraía muitos proveitos, não lhe faltava os mimos devidos de bom forasteiro, o que lhe rendia farta argumentação as senhoras e senhoritas mais desavisadas de seu espírito aventureiro. Certa feita, grupo de também conquistadores o cercaram ante ao seu sucesso amoroso definitivo entre o público feminino e questionaram-lhe sua metodologia. O forasteiro que também era poeta, simplesmente argumentou que não era a si próprio que fartava o garbor, mas aos rivais que faltava o adocicado da voz, a melodia das palavras e o sabor das mesmas, que apenas as damas mais rancorosas não lhe sorriam sincera e docemente aos seus caprichos de bom conquistador. Insatisfeitos os amigos desafiadores, pediram uma prova de seu falado poder. Simplesmente o poeta, sacou sua viola de sua bolsa de viagem e narrou em versos e canções um amor inesquecível de uma doce dama que lhe amara intensamente outrora. Ao fim daquela melodia doce e sincera, os amigos despediram-se do viajante congratulando-o pelo trunfo que eles ignoravam até então, a beleza das palavras e o doce som de uma melodia apaixonada. Daí pra frente, aqueles pobres aprendizes de galanteio, passaram a sempre lembrar daquela doce canção que a diziam sempre as amadas de suas vidas.

Mas diz-se que em dias atuais, há daqueles que encarnam decididamente o festejado forasteiro colonial e repete aquelas peripécias do amor outrora vividas. Ao certo sem os sobressaltos de ciúmes desmedidos de pais vigiantes à moças desprendidas, mas sempre com o encanto mágico de que toda poesia e canção traz um quê de paixão.

Walter Eudes – setembro/2011

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