Página de Walter Eudes

21/12/2011

Um mundo “diferente”(?)

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 00:21

Insisto em afirmar que na busca a uma nova ordem de vida coletiva, que atenda a pauta posta na contemporaneidade, tratando de temas e práticas (práxis) contemporâneos globais, urgentes nos objetivos de qualquer sociedade ou nação de praticamente todo o globo, temas como: qualidade de vida, distribuição de renda mais justa, direitos humanos preservados, ecossistema preservado, menos consumo de manufaturados, etc, etc, etc. -são temas que, grosso modo, tem como pano de fundo uma crítica pertinente ao ideal civilizatório dos séculos XIX e XX- insisto em afirmar pois, que será também pelo modo de vida da chamada coletividade “interiorana” onde surgirá muitas soluções a desafios diversos em todas as áreas de atuação humana que apresentam-se em crise de paradigma e de eficácia prática. Aquela coletividade que ainda não foi adjetivada certeiramente dentro de suas faculdades e potencias culturais, sócios, políticos e econômicos. Um extrato coletivo dentro de uma realidade impregnada de ruralismos e provincianismos, mas com diálogo permanente com o mundo urbano e cosmopolita (o inverso não se configura na maioria das vezes). Daí a minha opção e de algumas outras pessoas em conviver com o ônus destes mundos um tanto “atrasados” em muitos aspectos à cultura contemporânea, porém a resguardar magníficos modos de vida que são talvez o ideal futuro que se busca a muitas coletividades (situações análogas vê-se em aglumas periferias das grandes urbes). Apresento simplório e breve registro fotográfico feito em 12 de outubro de 2011 em minha comunidade residencial. Estaria esta forma de festejo ao Dia das Crianças na contramão da história e do progresso? Porque lá não se viu mirabolantes parques de diversões, nem luzes intensas à shows incríveis, nem caríssimos artigos de luxo em ambientes que pouco, quase nada lembram ao natural – tal qual os shoppings centers, parque de diversões, imensos palcos de shows…

20/12/2011

Uma nova sociedade brasileira

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 23:01

 Uma sociedade está em constante mudança, onde pode-se perceber avanços e/ou retrocessos em sua estrutura, nas formas de como lidar com as demandas da população desta mesma sociedade. Na atualidade brasileira como um todo, percebemos uma avalanche de estratégias e temas que passam a fazer parte da ordem do dia de todo mundo inserido neste conjunto nacional, atentos e atentas a uma melhor convivência mútua. Fruto dos esforços de redemocratização no Brasil e consequência dos anos de silêncio à sociedade civil impostos pela ditadura militar, percebemos um novo Brasil. É inegável. Do pluripartidarismo, leis complementares à constituição, movimentos específicos que resultam em mudanças no modo de vida de todo mundo (ex: Lei Maria da Penha), estatutos que ao menos sinalizam direitos importantes à parcelas especiais da população – do idoso, da criança e adolescente; noções laicas de Estado que passam a serem aplicadas com mais competência e vê-se a liberdade religiosa mais possível de se tornar plena; liberdade de expressão, sem a censura que freia principalmente a imprensa contrária ao poder Estatal, mas também que freia o cidadão a cidadã comum em seus queixumes e opiniões; mais: debates, reflexões intensas em diversos setores da sociedade, conselhos diversos: de cultura, de meio-ambiente, de comunicação, de saúde… Tudo isso e muito mais são sinalizadores de que há um amadurecimento imenso na concepção de gerir os interesses coletivos e públicos de um país. Parece que é definitivo para uma perspectiva duradoura: a sociedade brasileira está sendo ouvida em seus anseios e a ela é dado o poder de decidir seus rumos – como de fato deve ser numa democracia.

É notório os ganhos coletivos e gerais desta estratégia de governo que se tenta implementar no Brasil, em nível macro, mas também em estruturas menores, pequenos municípios, porque será responsabilizando o cidadão por sua atuação no mundo que advirá o futuro, melhor ou pior; será, como de fato tem de ser, elevando o cidadão, a cidadã como personagens históricos em suas especificidades pessoais-sociais, conduzindo-o à conscientizar-se em gerir seu legado civilizatório com destreza e esclarecimentos. Mas não só isso: com atitudes e pensamentos críticos, sem uma enfadada e perniciosa ingenuidade que só serve a interesses de pequenos grupos de intuitos exploratórios e especulativos a seres humanos, a indivíduos para benefícios particulares em detrimento de uma melhoria de vida da ampla coletividade.

Também há perceptivamente, um SUSTO GRANDE a todos e todas de crítica desperta ante ao que necessita-se amadurecer no Brasil e que possa atender e acompanhar o imenso potencial nato do brasileiro em desenvolver aspectos civilizatórios da mais alta dignidade – sem que se confunda este termo derradeiro com requintes tecnológicos, refinados artigos de luxo ou volumosas quantias monetárias, na verdade muito menos tudo isso e, se também estes aspectos em última colocação em uma escala que inicia-se com valores altivos da dignidade humana.

Ainda: amplia-se o acesso as universidades, assim um conceito básico de formação de uma Nação é subvertido: o saber é de acesso democrático – ou está rumando a passos largos a tal- finda uma era inaugurada pelo Regente Imperial (D. João) onde não será exclusividade às elites políticas e econômicas os títulos acadêmicos. É uma revolução.

Outras noções de país, de nação, de Brasil serão transformadas. Se, de igual forma desafiando uma lógica quadrissecular do historicismo brasileiro, o poder central político é representado em sua autoridade máxima por um operário de formação, fato incômodo ainda hoje e ainda a perdurar à indivíduos e grupos de indivíduos que cresceram e formaram sua percepção de mundo e de sociedade brasileira em bases especulativas, exploratória e escravocratas do potencial humano. Por este viés da grande chaga da escravidão (que não é exclusiva do Brasil), vê-se que ainda vai há décadas, quiça séculos futuros o ponto de equilíbrio daquele país escravocrata: quando far-se-á justiça material e cidadã à memória dos africanos e seus descendentes que edificaram as bases econômicas desta que é das mais ricas nações do planeta. Nação riquíssima econômica mas também detentora dos piores índices de distribuição de renda, também com origens seculares ainda coloniais esta lógica de concentração monetária que se efetiva na atualidade, inclusive com ecos à dignidade dos descendentes afro-brasileiros vítimas a todo instante de preconceitos e exploração geral pela condição de pele: negros e negras, mulatos e mulatas. Ser negro, negra brasileira é ter marca na consciência, na dignidade e na alma contemporânea que o Brasil impôs uma liberdade e uma igualdade que precisa ser construída e conquistada todos os dias! Mas veja que mesmo nesta realidade descriminatória nota-se para a ordem do dia e da esfera pública a responsabilidade dos gestores e da sociedade como um todo em salvaguardar os direitos do remanescentes quilombolas- é exemplo que poderemos superar um dia estas desigualdades absurdas de descriminação à cútis. Mas não só de raça, de classe econômica, que passa viver com uma esperança renovada com políticas de renda mínima implantadas no País.

É ou não é um novo Brasil?

Um novo Brasil inclusive que tem fôlego pra ir mais além nesta “reordenação e reconceitualização” de sociedade, de Estado, assim vê-se os recentes projetos de fim de sigilo secreto eterno a documentos especiais do Governo, que quando vir a público, deverá nos causar comoções intensas, de alegrias e tristezas à fatos ainda obscuros ou “mau contados” da nossa história. Aí, vamos perceber ao certo que sairá fortalecida a forma do brasileiro simples, que é a maioria da população, aqueles e aquelas cujas questões ultra-secreta de Estado não cabem(ou não cabiam) em sua ordem do dia uma vez que a busca de seu alimento diário lhe consumia as energias, nem lhe sobrando mesmo forças e oportunidade nem sequer de ir a escola alfabetizar-se. Será neste brasileiro, nesta brasileira, de hábitos seculares que se buscará uma nova áurea ao Brasil caso seja abalado seus conceitos civilizatórios. E talvez seja pensando nestes cidadãos e cidadãs, a grande maioria da população que já há séculos traduz sua luta diária num só termo: sobrevivência, nestas pessoas talvez esteja o foco de mais metas e também (talvez principalmente) aplicar esta projeto de um novo Brasil que é uma construção coletiva ampla, talvez sem deixar de fora ninguém que nutra amor a sua cultura, a seu país, mesmo que seja de forma tênue.

Esta vai ser uma concepção pós-moderna de gestão pública. Um novo capítulo histórico humano que não está mais (e unicamente) percebendo crescimento econômico, industrial, de infra-estrutura como as metas essenciais ao sucesso de um governo. Nesta ótica, não existirá mais uma empreitada como a construção de Brasília, ou instalações de parques industriais aqui e acolá, ou as desesperadas edificações do progresso – uma São Paulo não surgirá de novo; seja isso tudo porque já existe, porque a industrialização saturou, completou sua meta no Brasil (também em muitos outros países), seja porque está-se a perceber outros valores e conceitos importantíssimos à qualidade de vida humana e o resguardo de sua dignidade, conceitos como os citados acima, que passam a concorrer de igual pra igual com projetos de construções faraônicas ou mesmo simples nas mesas e gabinetes dos gestores.

Mas na contra-mão da história ainda há muita gente e muita instituições. É assim que, entre inúmeros e inúmeros exemplos podemos assistir uma reportagem de telejornal em rede nacional, “denunciando” péssimas instalações de alguma escola pública rural interiorana do Brasil, sem sinalizar que já faz séculos que assim está, e também sem conseguir esconder dos olhares de telespectadores mais atentos a riqueza de criatividade e competência de humildes professores em acolher dignamente as crianças e passar-lhes o conteúdo da aula, mesmo sem os faustos reclamados por repórteres acostumados ao luxo. Falhas, limitações seculares em todo tecido social que começam a surgirem, a vir à tona após séculos de ignorados pelo conjunto da sociedade mais abastada.

Ainda na relutância da história, gestores, cidadãos e cidadãs, legisladores, parlamentares, toda uma gama de gente de poder, maior ou menor, nem que seja com o simples voto, ainda sim poder, muita gente há repetir um discurso já caduco, uma ordem do dia que já é ultrapassada, uma incongruência lamentável, porque desperdiça muita energia e tempo, quando querem aplicar as metas do passado num mundo que mudou, quando vão as ruas com bandeiras e lutas antigas numa realidade diferente daquela quando perceberam suas aplicações e que pautaram sua história de vida e de metas naquilo que enxergaram há anos, décadas atrás, sem perceber que enquanto buscavam estas metas, o mundo mudou, e mudou muito. Pior que parece não haver era na história da humanidade em que tenha-se ocorrido em tão pouco hiato temporal tanta mudança!! Pode-se até mesmo referi-se a outras épocas de grandes transformações em todos os campos sociais e humanos, como foi ao Renascimento Europeu (+ 1400 d.C.), mas será apenas uma comparação avizinhada. Nunca o mundo mudou tanto e acompanhar estas mudanças talvez não seja tão difícil quanto acompanhar o ritmo de como se operam.

Assim que parece ser o esforço na proliferação da crítica uma causa muito útil à atualidade. Levar cada vez mais pessoas a ter sintonia com a contemporaneidade percebendo que estamos mergulhados em definitivo numa nova era, nós do Brasil, nós de um Novo Brasil.

Por: Walter Eudes * comunicador social brasileiro * outubro de 2011

 Uma nova sociedade brasileira.PDF

AUTORIZADA REPRODUÇÃO, desde que preservada autoria.

IN: http://www.waltereudes.wordpress.com * contato: waltereudes@correios.net.br

Sucesso artístico e cultura regional

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 22:56

É pertinente perguntar-se como é que temos uma cultura específica, de um determinado espaço geográfico-político-econômico, com suas especifidades históricas e a sua produção não vem ser representativa de sua gente. Na verdade seus artistas – ao menos parte deles – estão “macaqueando” outros lugares, outras gentes e outras culturas, ainda, outros regionalismos. Ora, vão estar causando um mau maior que um bem aqueles que estão a produzir obras artísticas, por assim dizer, contrárias à coletividade que as fomenta – seja fomento da natural demanda de plateia, de uma coletividade que gera, mantém e cultiva imenso arcabouço cultural, seja mesmo do econômico quando fala-se de verba pública. Porque não vai haver de fato arte “deste lugar” e sim “daquele lugar”, embora feita “aqui”. Daí que a diretriz a ser vivenciada por órgãos incentivadores, patrocinadores de obras artísticas em geral deveriam fazer estes raciocínios simples: “ de que fala esta obra de arte?” “está condizente com a base econômica que a gera?” Numa condição de dificuldade em recursos econômicos à arte, à cultura é preciso rigor crítico ao que vem a ser “obra bem sucedida”, também a “trajetória de sucesso”, principalmente quando levamos em conta uma condição histórica cruelmente imposta a alguns centros produtores de cultura, como é o caso de Pernambuco, condição covardemente incutida em nossa inconsciência coletiva de “marginalizados culturalmente”. A cima de tudo, falsos vereditos que tem clara função de desvirtuar potenciais imensos de cultura e produção cultural. Porque se há lugar que crie um ritmo específico de música e dança, com complexidade de execução instrumental e de passo – O FREVO, se é neste lugar que existe dezenas de originais iguarias culinárias, se é berço de poetas, artistas plásticos, músicos, atores, uns já mortos outros vivos a preencher sua trajetória profissional com referência direta, assumida e notória em sua região, coletividade e cultura específica, não pode nem vai ser um mundo a precisar de “se libertar”, justo o contrário, pode ser, assim deseje-se um mundo a se envolver em definitivo como a um Vicente do Rego Monteiro, um Abelardo da Hora, um Aluízio Magalhães, um Manuel Bandeira, uma Luzilá Gonçalves, um Fernando Spencer, um maestro Spock. Mas não é bairrismo algum, porque há igualmente um Jorge Amado, com sua Bahia, um Guimarães Rosa com suas Minas Gerais, um Portinari com seu São Paulo, uma Raquel de Queiroz com seu Ceará e seu Rio de Janeiro. E também não é nenhum nacionalismo porque vai haver também um Glauber Rocha com seu Brasil começando da Bahia, de igual forma um Chico Buarque de um Brasil visto do Rio de Janeiro, na esteira de um Ary Lobo, Noel Rosa, ainda uma paraibana que vê um belíssimo Nordeste Brasileiro: Elba Ramalho, também um alagoano que vê também um Nordeste, Graciliano Ramos… Assim que o repertório de referência cultural de um artista, aquele repertório em que ele/ela vai buscar os elementos para compor seus trabalhos, são decisivos para a densidade da obra destes artistas e, curiosamente, podem não ser decisivos para o sucesso de seus trabalhos. Porque se Patativa do Assaré vai ter reconhecimento restrito de seu trabalho, quando um sucesso absoluto em sua ampla coletividade só pode ser atingindo in memoria, não pouco denso é sua obra. Ou em Augusto dos Anjos, que se torna décadas após vida bem sucedido, uma referência literária e um estrondoso sucesso, enquanto que em sua época vivo pouco foi notado. Mas de obras superficiais e de imenso sucesso está cheio nosso menu diário de produções artísticas… O leitor, a leitora pode tirar suas próprias conclusões pessoais! Portanto, há várias nuances no que vem a ser o sucesso. Onde uma delas pode ter o sacrifício do regional em detrimento do massificante e o artista ou grupo pode contagiar multidões de espectadores e arcar com o ônus de seu próprio alheamento cultural, quando repeliu justo o repertório e o arcabouço que foi e é força motriz para muitos grandes artistas: sua cultura base, da coletividade que o forjou que a forjou.

 OUT – 2011

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