Página de Walter Eudes

27/07/2012

Quando a boa intenção desagrada.

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 01:27

Muitas podem ser as situações em que imbuídos de uma boa intenção findamos por prejudicar os objetivos maiores do intuito. Cito como exemplo da “trapalhada” dos meios quanto aos fins, no uso das tecnologias acessíveis em nossa época, e em especial cito uma questão que já há mais de década tem tirado o sono de todos e todas que buscam um bom senso em suas práticas – e de tirar o sono também de quem não o tem, é sobre a poluição sonora que por hora reflito. Se é dinâmica as sociedades em quaisquer circunstâncias, a fazer e refazer seus modos de ação e socialização, partamos do ponto de vista de que vem ser naturalíssimo o caos que vivenciamos nesta área: o uso de equipamentos de amplificação sonora volante ou fixo. Note-se que numa época em que somos surpreendidos com pedaços de astronaves ou satélites despencando da órbita terrestre dado a quantidade de “lixo espacial” que orbita no globo, o que poderíamos citar como infortúnio inaceitável cabível de total repulsa e intolerância quanto às tecnologias usadas equivocadamente? Porque são praticamente todos os setores sociais que estão em crise dada as revoluções tecnológicas, as (re)evoluções digitais. Tanto que repensar uma dada prática social é repensar a própria sociedade, seus objetivos e metodologias de alcança-los. Sempre haverá conexões múltiplas de diversos segmentos sociais a ponto de sempre ser necessário a uma ótimo ou excelente resultado uma multidisciplinarização dos temas focados, dos problemas abordados.

Dado esse preâmbulo, veja-se o campo motivador desta resenha: sobre a “poluição sonora nossa de cada dia”… Só cabe ao patamar da pura ignorância a constatação de que não vivenciamos um caos neste aspecto. Mas não façamos disto “exclusivo sofrer”, único mote de embate de reformulação social – cite-se além de estranhos objetos orbitais que possam nos atingir, a nossa aconchegante sala de estar de nossos lares: transformou-se numa “tecno-sala” e dificilmente haverá indivíduo que não interaja com vários equipamentos eletrônicos, sendo os prejuízos causados mais que o sossego coletivo quando do som em níveis elevados em decibéis, também aspectos culturais, de formação pessoal, de conteúdo civilizatório, de cunho psicológico – é conhecida a chacota disferida ao excesso de uso da internet, a ponto de pessoas de um mesmo bairro,de uma mesma rua conversarem de trivialidades pelo computador quando poderiam realizar esse ato social e humano numa praça, em seus jardins, em suas calçadas urbanas… Assim que um repensar de específico foco irá nos remeter a outros aspectos correlatos e que necessitam de urgente crítica (veja a pedagogia aplicada que reformula o uso dos computadores, conscientizando-se da necessidade do aluno, da aluna em infância ainda desenvolver sua escrita de punho, desenvolver sua caligrafia, fato que poderá se tornar dificílimo se configura-se a exigência e o estímulo de entrega de trabalhos escolares impressos em computadores).

Pois que não há porque se ater à questão se há ou não equivocado uso de equipamentos amplificadores sonoros, indubitavelmente !!!. Nem seria interessante deixarmos de tirar boas lições dos embates neste campo para aplicarmos a outros campos sociais que encontram-se em franca crise…

Da poluição sonora tem alertado principalmente fonoaudiólogos e otorrinolaringologistas, mas também psicólogos e sociólogos, que o formato que se chegou o uso dos equipamentos de amplificação sonora, especialmente a grande público é de infeliz prática e terrivelmente insalubre ao público em geral e de graves consequências aos trabalhadores e trabalhadoras que lidam diretamente com os sistemas sonoros amplificados. Estes por sinal, são as primeiras vítimas desta forma comunicativa e de entretenimento e divulgação e curiosamente são os primeiros alvejados por culpados pela sociedade lúcida ao tema e de saúde auditiva. Diz-se “curiosamente” porque vai ser, em geral, interesses econômico e ideológicos que movem esta estrutura e cabe ao infeliz do técnico, da técnica o derradeiro papel de toda a rede: levar ao público o conteúdo previamente preparado. Assim que ampliar as responsabilidades da poluição sonora talvez seja uma estratégia significativamente importante para ao menos minimizar os danos dos equívocos desta prática sem controle algum! E, um outro campo científico que sempre criticou as práticas equivocadas de amplificação de som foi e é a teoria da comunicação, onde já é saber antigo na área que os limites de decibéis quando a excederem o tolerável ao sistema auditivo humano vão causar efeito contrário ao objetivado e em vez de comunicar, incomunica , ou no dizer de importante personalidade da comunicação brasileira da segunda metade do século passado: “não comunica, se intrubica” (Abelardo Barbosa – Chacrinha. Apresentador televisivo de auditório-1917 -1988). Então que a compreensão dos limites do tolerável pelo sistema auditivo humano, ou seja, a quantidade de decibéis máxima a uma amplificação sonora é necessariamente imprescindível a quem exerce o ofício de divulgação de comunicação nos referidos sistemas. Mostra-nos o empírico que são desprovidos e desprovidas desta conceitualização grande parte dos profissionais deste ramo, sejam os de palco a grade público ou de sistemas volantes sonoros (carros de som, moto e bicicletas de som, trios elétricos). Desta forma, cumpre a teoria da comunicação apontar possíveis equívocos de práticas comunicativas e legar à medicina e à física médica a demanda de formular os argumentos científicos finais e decisivos para aperfeiçoar-se esta prática social difundida em larga escala (ao menos no Brasil). Impossível omitir nesta resenha o motivo digno dos operários destes equipamentos sonoros em xeque, porque são profissionais encaixados no sistema produtivo econômico-político-cultural a prestar importante papel ao público em geral, infelizmente contradizendo-se em seus objetivos, causando mais transtornos que benéficas, mais irritação que empolgação. Estão agindo em desconhecimento de suas funções e potenciais e isso há muitos anos! Daí, seus objetivos poderem ser de melhor das intenções, mas as práticas adotadas contradizem o bom senso.

 

Walter Eudes

Comunicador Social

waltereudes@correios.net.br

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02/07/2012

IDENTIDADE POLÍTICA – crônica a partir de fatos políticos-eleitorais locais e nacionais

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 03:36

Desta atribuição humana que muito se aborda, que muito se teoriza, comento neta crônica do que se diz de uma “identidade”, conceito que se completa com a noção de “originalidade” e “fidelidade” na política. E afirmo que política é uma “atribuição” e não uma “escolha”… Porque qualquer foco que queiramos dar ao termo Política, convêm firmar que é da constituição do ser humano, que lhe é atributo, impossível alguém NÃO FAZER POLITICA – sentido social, que lida com a economia, que traduz por exemplo quais e como são as escolhas de um indivíduo dentro de sua sociedade; que mostra seu grau de consciência e respeito (ou desrespeito) para com o patrimônio público, sua noção de construir a sociedade em que vive, de atentar-se aos costumes, modos vigentes, de ter atenção a legislação em voga, a moral, a ética, etc.. Todos e todas fazem Política! Ser representante eleito do povo, ocupar cargos públicos executivos e legislativos é outra coisa e ainda é (em tendência) uma prerrogativa seleta, ao menos no Brasil. Porque ainda insistem herdeiros e herdeiras da mentalidade arcaica, escravocrata e mandatária em serem únicos e exclusivos representantes do povo com possibilidade de gerir o potencial de um Estado(desta Nação que é a 5ª ou 6ª economia do planeta!) – em qualquer de sua esferas… Felizmente a história não estaguina pra todo mundo e em todo lugar, assim que, no Brasil maior já percebemos existir a lógica do diálogo e a percepção de que a diversidade de potenciais políticos de uma sociedade é ampla, não deve ser ignorada. Então que o sindicalista Lula reverte com maestria a mentira tri-secular que se impôs no Brasil, que só “fidalgos” são capazes de governar.

Mas esta introdução ao tema proposto nada mais é que um paradigma sine-qua-non para avançarmos a qualquer outro aspecto mais específico da área Política, porque é desperdício de tempo e esforços qualquer aprofundamento teórico admitindo a premissa falaciosa de que “o povo é ignóbil” e necessita de “iluminados” e “iluminadas” a gerir esta mesma riqueza material e poder que lhe é direito usufruir. É inadmissível esta ótica, mesmo que esteja mascarada. Também não sejamos ingênuos: na sociedade dol século XXI no Brasil persistem forças imensas a querer perpetuar este regime de fidalguia, que nada mais tem em pano de fundo que a perpetuação de seus privilégios materiais seculares e o reforço de suas doentias mentes egocêntricas e onipotentes de julgarem-se os “mentores” e “mentoras” do que há de bom em nosso querido País.

Então que identidade na Política é prática almejada por boa parte dos cidadãos e também por boa parte dos representantes públicos. Nota-se empiricamente que não é a regra a postura de constante mudança de sigla partidária, por exemplo- embora intensa, esta pratica parece ser exercida por um a minoria.

Ora, não percebemos no Brasil uma coesa identidade política em muitos dos assim chamados Políticos. A quem está familiarizado com o cenário político-partidário brasileiro vai ver blocos ideológicos tal qual “rocha”, grupos de Políticos que representam interesses de claríssimos extratos populacionais há décadas, alguns até séculos! E que a parte oscilante, ou melhor termo, vacilante é pequena entre os que se mantém firmes (e esta perspectiva, diga-se, ocorre também no grande publício, no eleitorado). Podemos ver então, personalidade do cacife de um Senador Pedro Simon (RS) que vivenciou fundação do antigo MDB e por 3 ou 4 décadas continuou fiel a suas convicções, exercendo sua influência nos rumos históricos de seu estado e de seu país. Cite-se uma figura de fidelidade e identidade como ao Senador já falecido Antônio Carlos Magalhães, que fez sua política de governante na “melhor forma” de um chefe poderoso nordestino ( o rótulo/clichê é inevitável). Pesquise-se e compare-se, vai-se encontrar sem muitos esforços dezenas de exemplos a nível nacional, regional ou local de gente que mantem-se numa linha verdadeiramente original, regional, com identidade. A estes políticos e políticas conferes-e um respeito à sua honradez e dignidade quanto a sua trajetória- independentemente se de qual campo ideológico, se de direita, se de esquerda, centro,etc.

Mas um outro aspecto salta-se no curso de uma reflexão desta natureza: que nada precisa ser tão perene assim na política. Então que há mudanças sim, e isto é natural. Mas de que forma e com que frequência? Observe-se a primeira mulher prefeita de grande cidade do Brasil, Luiza Erundina e veja que fundadora do PT hoje (2012) é dos quadros do PSB. Mantém a mesma uma coerência respeitosa com suas convicções iniciais. Se lhe houve indisposição de continuar no PT, onde era ela dos principais quadros, nem por isso alojou-se Erundina em um partido “de ocasião”. E parece que não lhe foi convincente o discurso e prática do campo ideológico de direita para que a mesma radicalizar-se suas convicções, continua uma política de esquerda. De forma que até as mudanças partidárias devem ocorrer com coerência, afinal não estamos falando de um jogo trivial qualquer, isto é POLÍTICA, que que inclusive abarca ciência específica na construção do saber das civilizações, e inclusive das civilizações antigas! Mas ainda há irresponsáveis que travam o avanço social, que prejudicam o debate e embate de uma democracia (estágio tão sofrível de se alcançar numa Nação). São pessoas que felizmente não são regra, que buscam uma pseudo-supremacia social, buscam mais o status de um cargo eletivo e definitivamente não teem espírito de estadistas, não estão de forma alguma preparados para exercer e administrar o poder público e infelizmente em todo lugar tem gente assim. Para esta classe de (pseudo) políticos a disputa pelo poder está a cima de qualquer coisa, inclusive de um projeto para a coletividade, seja este projeto de qualquer ideologia, direita, esquerda, social-democracia de cunho socialista, capitalista, etc. O infortúnio que estes irresponsáveis causam custa-nos sempre um atraso histórico e parece que das melhores formas de solucionar este problema é trata-los com extrema reserva e sem dar-lhes a confiança que sempre são solícitos – ou é arriscar projetos sérios, em que acreditamos. Geralmente é frustrante desprender ajuda, apoio a quem lá na frente irá nos “trapacear”, nos trair pelo poder de ocasião. Desta situação, a tão sonhada Reforma Política brasileira, que anda há anos e anos em discussão no Congresso Nacional irá ao certo minimizar as mazelas causadas por estes irresponsáveis na ideologia. Um sinal alentador parece ser a fidelidade partidária, que já custou o mandato de muitos desses oportunistas – trocam de partido “a toda hora” mas em muitos casos o mandato pertence ao partido. Também, uma condução à formação politica é conveniente a estas pessoas sem identidade política, para se situarem no arcabouço político local e geral e adquirirem “consciência política” independentemente diga-se novamente, de qualquer ideologia. Vão ser muito mais útil na sociedade que a conhecida e aqui citada postura de “oportunistas” quando adquirirem formação e consciência. E esta é uma tarefa para muita gente!

Por: Walter Eudes(Limoeiro-PE BRASIL) * http://www.waltereudes.wordpress.com * waltereudes@correios.net.br

identidade política editada 2

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