Página de Walter Eudes

21/08/2012

Quatro Poemas

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 13:47

Quando vejo a história,
ser freiada em seu curso
proibida em seguir
entristece a todo mundo
Ter que achar que o passado

não passou ainda é.

Quando vejo no Brasil
ecos vivos do outrora
de um tempo que a voz
silenciou pra muita gente
proibindo toda crítica
a modelos desgastados
de governo e de poder

Se agora em século após
tantos anos de tortura
se repete a arrogância
de alguns da Ditadura
em querer perpetuar
cadafalsos tão covardes
a quererem nos calar
ante a gritos de clamor
em querer mundo melhor…

Como é triste aceitar
se calar o pensamento
engulir a pulso o grito
de quem sabe o que faz,
que está a reprimir
intenções libertadoras…

Esta sina de está fora
de uma gente malfazeja
que domina há muito tempo
todo um povo sofredor
É uma sina prazerosa
em dormir em Berço Esplêndido
a saber que no por vir
dessa Gente Brasileira
cabe não autoridades
arrogantes e atrozes.

Se constrói a cada luta
tempo bom de se viver
onde haja tolerância,
mais respeito e bem querer
Um respeito verdadeiro
para quem merece ter,
e não pra quem acha
que é direito no nascer.

****************

POEMA À NORMA CULTA I…

Se esse “s” que te sufoca

saltasse assim, de supetão

do dicionário pro teu saber

Tu saberias te situar

quando é hora de empregar

se o fadado “s” citado

ou do mesmo som, a letra “c”

…ainda sairias da situação,

desconfortante, sempre sofrível,

de duvidar quando aplicar, se “s” ou “z”.

Pois que não vai, ser um milagre

que te fará saber usar o “s” dito.

Terás sem dúvida que estudar

teu idioma, se a falar, a escrever

e soletrar.

Não é com “s” a “segonha”

também não é a “servejinha”

nem muito menos o ignore

ao escrever uma simples “cozinha”.

Assim que então, tão complicado

é escrever corretamente,

num idioma bem severo a seus

servos seguidores.

Se pra “cem” ou para “sem”

com que letra eu escrevo?

Certo é que simples é que não.

É Português, do Planeta dos

mais difíceis. E se é do brasileiro,

complicou severamente.

Sertidão” não é com ele,

já Serrita lhe é certo.

Pois que lute a aprende-lo,

seja o “s” ou todas as outras

Que falar esse idioma,

de maneira bem certeira,

é serviço sufocante,

desde tempos serenais,

do trajeto desta língua,

há alguns séculos atrás.

norma culta é uma meta

que atingi-la é sensação,

saborosa e salutar,

que comparo a um sorvete

que é tomado num verão:

vai solvendo guela abaixo,

relaxando a tensão

vindo do sol abrasador,

sempre intenso sobre nós,

e a mente vaga solta,

desatando tantos nós

de idioma tão carrasco,

que me obriga a dizer “s”

e escrever “c”, ao falar de

uma “certeza”.

Tão cruel esse idioma,

que me faz confusão,

ao escrever de um pássaro

que se chama azulão

Porque de fato, não me tem

problema algum, em

escrever esse cara.

com o “s” de Sertão.

POEMA À NORMA CULTA II

Quando mostro o meu modo

minha norma sempre culta

eu atesto meu saber

de esforços imedíveis…

Não preciso realçar

ignóbias frases toscas

que risonhas de ridículas

só comprovam a fraqueza

de quem quer Culto ser apusso!!

Quando faço a cultura

se elevar a barbárie

faço com qualidade

que existe mundo a fora

Não preciso realçar

o ridículo infeliz

de gentes sem escola

por querer ou não poder

Não precisa Culta Norma

ser firmada em ignorâncias

ser de fato Culto e Culta,

é preciso atestar um

bom nível erudito

é só isso tenho dito!!

***************

Arrepare essa “bola”

que flutua no céu imenso…

tamos nela sem notar

que também tamo no firmamento.

Uma migalha de bolota,

nem se vê de outros cantos

de galaxias bem distantes

do universo colossal

Somos nada bem dizer

ante o céu que nos encobre

se bilhões eu digo pouco

são trilhões e muito mais…

De planetas por acaso??

NÃO, de galáxias,

isso mesmo!

Tão imenso é o universo

tão imenso de verdade

que é impossível

que só haja vida aqui

e nada mais…

Não podemos aceitar

que o cosmos é só isso

que a Terra cabe tudo

muito é, mas muito mesmo

o que há lá no espaço

Há de fato vida e muita

pelos mundo de meu Deus,

nestes céus do infinito

muito além de nossa

Láctea, a galaxia que vivemos

Mesmo aqui pertinho

há bilhões de sois como o nosso

cada estrela que avistamos

nos céus de toda noite

é uma delas a brilhar…

Impossível alguém

querer, o universo conhecer

em detalhes bem pequenos.

Somos pouco ou quase nada

ante a tudo que existe.

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11/08/2012

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 14:30


Arte além do espetáculo

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 14:16

Por ser condição inerente ao ser humano, seja em sua individualidade ou em sua socialização, por surgir junto ao primeiro ato “mais-que-animal” da humanidade, portanto primordial na epopeia civilizatória Terrena, é (ou parece ser) a Arte, das conceitualizações mais complexas que há no arcabouço surgido há mais de 30.000 (trinta mil) anos de nossa jornada simbólica/técnica. Nunca cessou a Arte de transformar-se e de transformar a todos indivíduos indiferentemente de suas especificidades pessoais. Assim que ao artista, à artista cabe uma tarefa colossal que poucos de fato alcançam… Está muito mais além que o mero espetáculo e sua meta é muito mais que efêmeros aplausos calorosos e/ou fugazes holofotes potentes. Do nascedouro de uma obra de arte à tarefa de arquiteta-la, concebe-la, exibi-la e vivenciar seus desdobramentos, em cada etapa é posto a prova todo um referencial de vida de quem faz Obras de Arte: noções de mundo, ideologias, conceitos e pré-conceitos, religiosidades (se houver), objetivos pessoais, base teórica, experiência prática e etc. E junto com este “universo paradigmático” do Artista, da Artista está também na obra de arte concretizada as características específicas de uma cultura determinada, de uma sociologia, economia e política a qual está quem cria vinculado, embasado – seja o artista consciente ou não disto. Ainda: estruturas universais coletivas humanas, antiquíssimos ou recentes, a exemplo dos arquétipos que, diga-se, ao jovem artista confunde-se consigo mesmo, as vezes atribuindo este jovem artista a si unicamente certa originalidade e maestria que na verdade não lhe é exclusiva ( foi a Arte que lhe concedeu a permissividade ao usufruto de milênios, séculos de construções estéticas, não lhe pertence, é coletivo!).

Então que o ato de “fazer obras de arte” é tarefa para poucos. Muita gente que se arvora em ser e se intitular de artista profissional, geralmente confunde Arte com outros objetivos e atividades humanas que, embora significativos, a nada ou quase nada levam o público espectador da obra no âmbito estético, sendo raro aquela vivência do público a experimentar e perceber uma totalidade complexa do ser e da obra, daquilo que o artista vivenciou com profundidade. O que vemos muitas vezes, geralmente são talentos admiráveis que ainda não romperam este limiar da pseudo-arte… Mas é a Arte uma atividade humana intrínseca a todos os indivíduos sem distinção quando a experimentam constantemente em sua dimensão estética…. Assim que, há um Artista uma Artista em cada um de nós e à grande maioria não cabe o rigor e a exigência da crítica e da sociedade quanto ao nosso proceder estético. Porém, ao profissional da arte, lhe é devida obrigação, entre outras, de profundo vivenciar com seu tempo, sua gente, bem como outras épocas e outras formações culturais quando está a criar. O artista e a artista consciente de suas implicações sociais, busca bem além que fugazes e efêmeros aplausos simplórios.

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