Página de Walter Eudes

11/08/2012

Arte além do espetáculo

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 14:16

Por ser condição inerente ao ser humano, seja em sua individualidade ou em sua socialização, por surgir junto ao primeiro ato “mais-que-animal” da humanidade, portanto primordial na epopeia civilizatória Terrena, é (ou parece ser) a Arte, das conceitualizações mais complexas que há no arcabouço surgido há mais de 30.000 (trinta mil) anos de nossa jornada simbólica/técnica. Nunca cessou a Arte de transformar-se e de transformar a todos indivíduos indiferentemente de suas especificidades pessoais. Assim que ao artista, à artista cabe uma tarefa colossal que poucos de fato alcançam… Está muito mais além que o mero espetáculo e sua meta é muito mais que efêmeros aplausos calorosos e/ou fugazes holofotes potentes. Do nascedouro de uma obra de arte à tarefa de arquiteta-la, concebe-la, exibi-la e vivenciar seus desdobramentos, em cada etapa é posto a prova todo um referencial de vida de quem faz Obras de Arte: noções de mundo, ideologias, conceitos e pré-conceitos, religiosidades (se houver), objetivos pessoais, base teórica, experiência prática e etc. E junto com este “universo paradigmático” do Artista, da Artista está também na obra de arte concretizada as características específicas de uma cultura determinada, de uma sociologia, economia e política a qual está quem cria vinculado, embasado – seja o artista consciente ou não disto. Ainda: estruturas universais coletivas humanas, antiquíssimos ou recentes, a exemplo dos arquétipos que, diga-se, ao jovem artista confunde-se consigo mesmo, as vezes atribuindo este jovem artista a si unicamente certa originalidade e maestria que na verdade não lhe é exclusiva ( foi a Arte que lhe concedeu a permissividade ao usufruto de milênios, séculos de construções estéticas, não lhe pertence, é coletivo!).

Então que o ato de “fazer obras de arte” é tarefa para poucos. Muita gente que se arvora em ser e se intitular de artista profissional, geralmente confunde Arte com outros objetivos e atividades humanas que, embora significativos, a nada ou quase nada levam o público espectador da obra no âmbito estético, sendo raro aquela vivência do público a experimentar e perceber uma totalidade complexa do ser e da obra, daquilo que o artista vivenciou com profundidade. O que vemos muitas vezes, geralmente são talentos admiráveis que ainda não romperam este limiar da pseudo-arte… Mas é a Arte uma atividade humana intrínseca a todos os indivíduos sem distinção quando a experimentam constantemente em sua dimensão estética…. Assim que, há um Artista uma Artista em cada um de nós e à grande maioria não cabe o rigor e a exigência da crítica e da sociedade quanto ao nosso proceder estético. Porém, ao profissional da arte, lhe é devida obrigação, entre outras, de profundo vivenciar com seu tempo, sua gente, bem como outras épocas e outras formações culturais quando está a criar. O artista e a artista consciente de suas implicações sociais, busca bem além que fugazes e efêmeros aplausos simplórios.

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