Página de Walter Eudes

18/02/2013

Da sociabilidade interiorana

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 05:45

São das sociedades interioranas urbanas/rurais a cultura da intensa vivencia de proximidade, de avizinhamento entre os citadinos. Mais, muito mais que em qualquer metrópole, as pessoas das pequenas cidade interioranas conhecem-se mutuamente em minucias, mutias vezes, particulares. De forma que é numerosíssimo o ciclo de convivência de um comum, uma comum cidadão, cidadã. Uma proximidade que exige a quem convive nestes pequenos centros urbanos posturas especificas de socialização, entre elas a paciente cordialidade interiorana: em qualquer ambiente público que frequente, o cidadão, a cidadã irá deparar-se com alguém de seu ciclo pessoal de convivência – se do trabalho, da escola, da rua em que mora, do credo que pratica, no clube que frequenta, um familiar, etc. Experiência inversa do anonimato das massas que se experimenta numa metrópole, em suas ruas, em seus ambientes públicos – transportes coletivos, centros de compra, cultos religiosos, até mesmo nas habitações coletivas (prédios residenciais), onde transitamos por centenas, milhares de pessoas sem sermos notados, reconhecidos, cumprimentados. Deste certo tipo de bucolismo interiorano é que resulta situações curiosas como uma certa extrapolação dos limites espaciais específicos de convivência, porque irão as pessoas exercerem seu papel social muito mais do que o espaço a elas destinado. Assim, que é comum médico escultar aflito paciente em plena rua – inda que não resolva-lhe queixa de saúde, encaminha-se confiante consulta. De agente público a esclarecer alguma dúvida burocrática em qualquer lugar extra-repartição. De professor a esclarecer massacrante dúvida pedagógica de aluno em momento de lazer pessoal daquele. De religioso quando avistado, prestar serviço de Fé a fiel necessitado em qualquer momento e lugar. Ao profissional que atue numa coletividade interiorana, esta condição lhe é rotina comum, seja-lhe confortável ou não, e em regra não é motivo de aborrecimento este apelo corriqueiro do público, até mesmo consolida-se à imagem do indivíduo a função que exerce na sociedade, substitui-se até o sobrenome da pessoa pela sua situação de atuação social: da Loja, dos Correios, do Escritório, da Prefeitura, do Banco, da Igreja, da Feira, etc. Das sociabilidades interiorana muito há o que se apurar e formular cientificamente; trasborda farto material sem o devido apuro científico. Prováveis e necessários estudos que, ao certo, trariam enormes contribuições a resolução de muitas problemáticas sociais atuais, principalmente das questões relativas aos próprios pequenos lugares, que padecem de “exportações metropolitanas” de soluções a seus desafios específicos em diversos campos sociais. A interpretação da sociabilidade interiorana requer filtro diferente do metropolitano, como é o exemplo da vida profissional de um cidadão, uma cidadã interiorano: bem mais que seu turno e local de trabalho, será em qualquer lugar o funcional que exerce, bem diferente do profissional metropolitano que é ilustre anonimo na maioria dos espaços de convivência pública.

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