Página de Walter Eudes

30/07/2013

Como e porque temos e não temos cinema

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 06:22

Há um contentamento intenso na arte pernambucana atualmente, também ocorre a nível nacional: a retomada do cinema. Foi difícil suportar uma sociedade de múltiplos interesses e múltiplos aspectos, como a sociedade brasileira, junto a específica pernambucana, sem cinema, sem fazer cinema próprio. Há décadas muitos setores econômicos, produtivos experimentaram uma modernização e até pós-modernização. Mas só há pouco, ao fim da primeira década no novo século, parece ter havido uma sinalização otimista desta força impressionante no dia a dia das populações mundiais: o cinema. De um prisma indústria, de outro arte. De um foco, expressão coletiva, de outro marca pessoal de grandes estrelas( atores, atrizes, diretores, diretoras, produtoras). Lazer ao certo, mas hoje, no século XXI e já há décadas, necessidade de indivíduos e grupos de indivíduos em exprimirem-se a outros grandes grupos e também a cada pessoa que busca no audiovisual oportunidade de enriquecer-se artística e culturalmente para melhor interagir no mundo cotidiano, de forma consciente, decidida, esclarecida e preferencialmente em cunho harmonioso, pacífico, solidário, construtivo e otimista. A este potencial inerente a qualquer arte e a qualquer obra de arte, vai juntar-se as demandas de sociabilidade do “ato expectador”, aquele de ir ao cinema; também o “projetar-se ao futuro” ou “projetar-se no futuro” – pois não há verdadeiro e verdadeira cineasta que não saiba que sua obra tem técnica de ser revista daqui há anos, décadas, quiçá séculos – portanto uma responsabilidade de afirmar ao futuro o perfil do presente. Ainda, e bastante requisitado hoje em dia: o cunho mercadológico, de força produtiva econômica, geradora de diversos empregos diretos e indiretos. A tudo some-se o lazer, precisão inerente ao ser humano. Então que “vivas!” e mais “vivas!” damos ao nosso cinema retomado. Ele de fato está acontecendo. Escolas específicas, inclusive de nível superior; editais públicos, festivais, reaberturas de salas com privilégio à produção regional e nacional… Porém, vai instaurar-se um paradoxo que mortifica o cinema brasileiro em geral e sem dúvida o cinema regional, em especial o pernambucano: é arte restrita. Onde ainda há muito o que se fazer em uma etapa decisiva de sua estrutura, que inclusive pode marcar toda uma tônica de conteúdo e tendência estética das produções: a distribuição e exibição. Parece haver um “break” neste momento final da obra cinematográfica. É uma incongruência com a própria estrutura da “arte mais democrática que há”, no dizer de alguns teóricos. Porque é o cinema “arte de massa”, de grande público que a usufrui de uma só vez, é inerente a sua técnica. Nos deparamos então com um “cinema para quem faz cinema” geralmente, e o grande público não usufrui de tanta obra belíssima produzida no país e no estado. Portanto, sem grande público, este cinema ainda não existe. Talvez coubesse protelar os gritos de vitória da retomada da 7ª arte para quando o grande público estivesse de fato a presenciá-la, uma árdua luta que necessita de empenhos múltiplos de toda a sociedade.

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