Página de Walter Eudes

28/11/2013

Alguma (In)Sensatez Cultural no Mundo das Construções Prediais

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 04:43

(1)Não é obrigação nem prioridade de instituições, de empresas comerciais, industriais e financeiras priorizar a cultura, a história, a memória coletiva. Salvo alguma legislação específica que as obrigue a esta ou aquela atitude, mesmo assim, seus objetivos financeiros estão em prioridade. Mas é digno de nota quando percebemos alguma intenção ou zelo pelo patrimônio histórico de uma dada coletividade: atitude da empresa Narciso Enxovais ao se instalar em Limoeiro-PE neste 2013. Restaurou e promoveu excelente pintura da fachada de um dos prédios ainda resistentes do centro da cidade, de época de 100 (cem) anos passados (localizado na esquina da Rua da Matriz com o Pátio da Feira). Um alento para pouquíssimos cidadãos conscientes de um potencial cultural que se perde a cada ano: a arquitetura histórica local. Os conceitos de preservação arquitetônica e urbanística estão nulos em Limoeiro, não há nenhuma ação do Poder Público em ao menos despertar esta consciência histórica, que por sinal agrega valor capital a qualquer empreendimento, o trato, o zelo para com a história, para com a cultura. Aliás, o próprio entendimento de Arquitetura ainda é rudimentar e entende-se ao aspecto funcional a característica “suprema” de uma obra predial… lá se vai a construção de prédios simplesmente horríveis, mau iluminados, mau ventilados, sem nenhuma acessibilidade digna, alguns até quase insalubres, mas principalmente sem os traços inteligíveis de harmonia, de beleza, de algum “convite a adentrar”, de alguma estética que possa um, uma arquiteta transmitir ao público, além, muito além do: “isto é um prédio”. Sofremos todos e todas desta limitação cultural a mais em nossa cidade e que se avoluma com o absurdo de empreendedores possuírem seus caches a contento de um bom trabalho arquitetônico sem deixar-lhes prejuízos monetários maiores. Um bom projeto arquitetônico irá fazer do prédio em vista um excelente local de vivência, a qualquer função que seja: residencial, comercial, religiosa, militar, pedagógica, etc. Mas arquitetos e arquitetas são tidos inculturalmente como profissionais dispendiosos e desnecessários… é um erro gravíssimo que resulta em perdas imensas de qualidade de vida individuais e coletivas, seja por afetar diretamente a saúde de quem utiliza-se de um prédio insalubre ou “carrancudo”, seja por desperdiçar ótima oportunidade de “diálogo permanente” com o público (por uma fachada), de realçar aspectos culturais que são mesmo do repertório daquela coletividade que interage com um prédio ou que nele habita.

(2)Uma calamidade cultural!! Esta é uma frase sucinta para se definir a intervenção “arquitetônica” realizada no prédio da Secretaria de Educação de Limoeiro-PE, neste ano de 2013, localizada na Av. Vigário Joaquim Pinto. Está lá pra quem quiser conferir: uma camada de tipo de massa corrida usada em alvenaria foi aplicada ao prédio histórico descaracterizando a estrutura original que não conhecia este material e técnica quando erguidos. Também “aplicaram” uma especie de friso de canaleta nos contornos da arquitetura da fachada, deixando o prédio ainda mais monstruoso. Uma ação de pura irresponsabilidade. Não há outro termo mais adequado: repertório cultural desastroso, algo que beira ao inacreditável, vez que este “projeto” de (talvez) revitalização do prédio, ao certo, passou por diversas mãos até chegar aos trabalhos finais dos operários. É surpreendente que uma cidade de historicismo de mais de 3(três) séculos não tenha uma cultura mínima de preservação arquitetônica e histórica. E isto tornar-se gravíssimo quando o mau-exemplo vem do poder público, como desta feita. Pior é sabermos que não há nenhum programa de abordar o tema, a área, na administração pública e na população: o que deveria ser incentivado e protegido, está completamente abandonado. No mínimo três secretarias da administração pública municipal deveriam ter atenção a este tema com a consciência e responsabilidade que cabe às suas atividades: da Cultura, das Obras e da Educação (visto não existir uma Diretoria de Preservação Patrimonial Histórica). Repita-se: está la pra quem quiser ver! Passam-se os anos e vão-se as Gestões Públicas sem nenhuma atividade institucional e de alcance à população para: 1- conscientização e estímulo à Preservação Patrimonial Histórica; 2- criação de uma Diretoria de Preservação Histórica Patrimonial; 3 – Estimulo e protecionismo de pesquisadores, restauradores e profissionais da área. Isto só pra começo. Porque perde-se um grande potencial de uma coletividade que agrega muitíssimo gabarito a uma dada localidade, que valorizada em seu historicismo, facilita seu desenvolvimento econômico e melhor qualidade de vida a seus habitantes.                                       fim

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