Página de Walter Eudes

15/12/2013

A devida atenção ao que interessa

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 03:10

Foi em meados de novembro deste 2013 que cena clássica chamava a atenção de quem passasse pela Pça da Bandeira de Limoeiro: aglomeração de pessoas em torno de um motivo comum. Mais e mais pessoas chegavam, espiavam e algumas continuavam seu destino, outras se demoravam, outras fincavam prioridade ao fato em ocorrência. Ás 18hs, no horário de pico de transeuntes do centro da cidade de Limoeiro, uns retornam da maior força empregatícia da cidade: o comércio varejista, outros são estudantes ou trabalhadores, de tantas escolas noturnas. E chegou bom número de umas 50(cinquenta) pessoas a quietamente demorarem-se em torno do motivo… Como é característico destas ocorrências sociais, precisa-se aproximar e compreender em detalhes o fato. A surpresa de quem foi conferir tanta curiosidade (e saciar a própria) foi misto de contentamento e tristeza: a alegria de ver tão singular aspecto de vida interiorana, atividade de deleite e subsistência quase que sagrada pelo peso histórico e cultural do nativismo: era uma pescaria – dos peixes do aquário da Praça. A tristeza, por vê-los sufocados em tão poluída fonte/aquário, de remota renovação de água e limpeza do tanque. E lá se vão umas duas dúzias de espécies regionais: cará, traíra, piaba. Cinco ou seis pescadores que lançavam redes a busca dos peixes que ali habitavam assistidos por uma plateia, como já dito, de umas cinquenta pessoas e outros tantos de curiosos que não se continham em ir perceber o motivo. Na verdade um espetáculo. Com a devida emoção do resultado de cada lance de tarrafa.. “nada desta vez”; “de novo, nada”, “ali um!” – gritava um garoto de olhos atentíssimos. E lá o pescador lançava a rede para em seguida recolher não um, mas três peixes que recompensavam a expectativa da plateia com as sacudidas na rede quando saiam do tanque. Praticamente em unanimidade os transeuntes que pelo momento passaram pela Praça, alguns se detendo por uns instantes, vivenciam profundo respeito seja pela cena de pessoas profundamente comovidas à vida das águas doces, seja pela ação dos pescadores, profissão meio que “sacra” nestas terras de milenares nativos habitantes que sempre este ofício desenvolveram. Há perdido um comentário de “bando de desocupados” , “sem ter o que melhor fazer”, e segue o/a aborrecido/a para assistir sua televisão enquanto lá ficam até o último peixe, pessoas empolgadas em sua cultura genuína e em sua arquitetura comum: a Praça da Bandeira. São destes fatos que se percebe qual a motivação de uma coletividade e deveria ser destas percepções que se erguer-se o “edifício social/institucional”, onde, desde as lições de pedagogia, aos lazeres públicos e coletivos, aos desenhos das roupas que usamos e os discursos e promessas de políticos: mais atentos e sintonizados com o que motiva e interessa à população: temas dignos, sérios, altivos e merecedores de atenção e respeito.

DSC03645 b

DSC03646

Anúncios

Deixe um comentário »

Nenhum comentário ainda.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário, crítica ou sugestão.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: