Página de Walter Eudes

17/11/2014

Eleições brasileiras: um exemplo

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 12:49

Não há outra força que oriente os brasileiros a pensar em outro assunto, todos juntos. Muito porque é obrigado votar, mas muito também porquê Política, Governos e Estado interferem na vida de todos. Não há unanimidade nas religiões, nos esportes, nas festas regionais, nas artes, nos modos… Qualquer movimentação da população nacional só encontra nas Eleições a participação de todos- até quem não vota, diz “Não!” e portanto reconhece, interage com o Pleito. Essa é na atualidade a maior força aglutinadora da Pátria Brasil e, mais uma vez acontecer as Eleições Diretas para Presidente, é um exemplo significativo para o mundo de que é possível, ainda, se chegar aos Governos sem a violência generalizada com muitas vítimas de guerra pelo poder como está ocorrendo hoje em muitos locais do mundo, como mostra a história. Ainda longe de sermos uma Democracia Exemplar, somos Excelência em Eleições, é legado coletivo grandioso que o Brasil inscreve na historia das civilizações modernas ao modo que lhe é peculiar: criativo, coletivo e festivo. Sobra-nos essas características de Povo, onde nos falta as marcas seculares e milenares das referências que usamos para nos firmar: nossos livros sagrados, nosso idioma, nossos trajes, nossas habitações, nosso saber oficial, nossa medicina, a culinária, o lazer, as históricas cidades, as grandes personalidades… quase tudo vem de fora… O que nos é próprio? É este imenso “caldeirão mágico” que dá sentido a muito do que a parte do mundo é improvável. Abrace um amigo, uma amiga que votou “no outro lado”. Celebre esse bem de todos nós, que construímos juntos: a brasilidade. Festeje a Democracia. Regozije-se nesta maestria exemplar: as eleições no Brasil.

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ADEUS RECIFE VELHO

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 12:42

 

Vai sendo legado apenas à memória de antigos recifenses o que foi e como foi muito do viver nesta cidade. É uma rotina histórica. Gerações e mais gerações contam alguma saudosa vivência que não mais se tem, não mais se usufrui. Alguma fotografia, alguma crônica ou poema nos diz das Maxombombas (transporte urbano), algum relato, até mesmo recente, nos fala de uma pracinha perdida para novos traçados urbanos, lá se foi a pracinha das imediações do Marco Zero… De um templo da boemia, de onde sentiu-se pelos poemas o Recife, o Bar Savoy e seus tantos copos de chopps, se foi. Alguém que em comovida lembrança, volta a um passado não tão distante mas muito diferente, narra os famosos e disputados Corsos carnavalescos: filas longas de automóveis em folia de momo. Já não há, quarteirões inteiros de casarões seculares, agora há a Dantas Barreto. O que possa ter sido um alívio pela extinção, dado um progresso constante, deixa-nos uma desolada saudade: nunca mais ônibus elétricos e suas bananas (cabos e força elétrica) saltando dos trilhos, parando o trânsito e obrigando o motorista a exercer suas habilidades circenses, em plena avenida, em pleno rush. São patrimônios coletivos e históricos que muitas vezes não são reclamados pela coletividade ou por pessoas de maior influência e poder na urbes, simplesmente somem, e muitas vezes nem mesmo uma sutil memória lhes são legados. Na contramão da tendência estão uns poucos museus e institutos e pouquíssimos profissionais que desesperadamente tentam a preservação de muitos tesouros coletivos; aí estão os esforços de Gilberto Freyre com a FUNDAJ, da antiga sociedade do Instituto Arqueológico, de algumas Gestões Públicas mais comprometidas que fazem emergir um MAMAM, o Museu do Trem, a Casa do Carnaval, uma Casa da Cultura que abaixo não foi, criam um Espaço Passárgadas… Muitos são os exemplos do que se foi para sempre, do que ao menos a memória está em zelo. Parece mesmo que o tão apregoado progresso não amadureceu por aqui e continua destruindo e extinguindo o antigo para dar vez ao novo e moderno…

 

06/11/2014

UM MESTRE ENTRE MUITOS

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 10:51

“Partiu Ariano… partiu para a eternidade” , a parodiar verso musical pernambucano que lembra Mário Melo, também escritor, jornalista, cronista, das letras, utilizando-se desta expressão estética como primordial em suas produções. Como fez o relutante Sociólogo Gilberto Freyre, a inaugurar um estilo um tanto literário às Ciências Sociais. E assim como Ariano, a promover oratórias célebres por toda a vida de quem as escutou, outro pernambucano, Joaquim Nabuco, de arrebatar a plateia em êxtase, bem como excelente escritor. De narrar o povo comum, de elevar o modo mais trivial do ser pernambucano, nordestino, brasileiro, Liêdo Maranhão (recentemente falecido) se emparelha com Ariano. De elevar tradições, modos e pensares a altos níveis científicos da antropologia, e antropologia cultural pernambucana, o fez um Souto Maior, tal qual fez Ariano. Extenso o panteão de pernambucanos e pernambucanas que sagram-se como escritores de alto gabarito, com aclamação popular e erudita, e que tenham eleito, no início mesmo de seus intuitos, a pernambucanidade, nordestinidade e brasilidade como foco prioritário de suas obras, como referência cultural, histórica e geográfica para o debruçar às artes e ciências. Alcançar os altos níveis estéticos de sua geração, de seu tempo, sem ter que voltar-se em prioridade para outros centros de produção cultural/estética – especialmente os de tradição mais antiga, sem querer ignorar o seu locus, sua gente seu historicismo… É sempre difícil no jovem Brasil de poucos quinhentos anos, apresentar-se autêntico, original, singular ante outras culturas e povos de milênios de tradições… Caímos muitas vezes no grotesco da cópia, mas em outras situações, entendemos as influências como salutares e reconhecemos as fontes de origem, e então o novo surge, para aqui e para o mundo, até parece que “ele começou aqui!”. Salve Ariano! Honra e inspiração a tanta gente que não quer negar, nem trair suas origens para se projetar para o Brasil e para o mundo.

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