Página de Walter Eudes

17/11/2014

ADEUS RECIFE VELHO

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 12:42

 

Vai sendo legado apenas à memória de antigos recifenses o que foi e como foi muito do viver nesta cidade. É uma rotina histórica. Gerações e mais gerações contam alguma saudosa vivência que não mais se tem, não mais se usufrui. Alguma fotografia, alguma crônica ou poema nos diz das Maxombombas (transporte urbano), algum relato, até mesmo recente, nos fala de uma pracinha perdida para novos traçados urbanos, lá se foi a pracinha das imediações do Marco Zero… De um templo da boemia, de onde sentiu-se pelos poemas o Recife, o Bar Savoy e seus tantos copos de chopps, se foi. Alguém que em comovida lembrança, volta a um passado não tão distante mas muito diferente, narra os famosos e disputados Corsos carnavalescos: filas longas de automóveis em folia de momo. Já não há, quarteirões inteiros de casarões seculares, agora há a Dantas Barreto. O que possa ter sido um alívio pela extinção, dado um progresso constante, deixa-nos uma desolada saudade: nunca mais ônibus elétricos e suas bananas (cabos e força elétrica) saltando dos trilhos, parando o trânsito e obrigando o motorista a exercer suas habilidades circenses, em plena avenida, em pleno rush. São patrimônios coletivos e históricos que muitas vezes não são reclamados pela coletividade ou por pessoas de maior influência e poder na urbes, simplesmente somem, e muitas vezes nem mesmo uma sutil memória lhes são legados. Na contramão da tendência estão uns poucos museus e institutos e pouquíssimos profissionais que desesperadamente tentam a preservação de muitos tesouros coletivos; aí estão os esforços de Gilberto Freyre com a FUNDAJ, da antiga sociedade do Instituto Arqueológico, de algumas Gestões Públicas mais comprometidas que fazem emergir um MAMAM, o Museu do Trem, a Casa do Carnaval, uma Casa da Cultura que abaixo não foi, criam um Espaço Passárgadas… Muitos são os exemplos do que se foi para sempre, do que ao menos a memória está em zelo. Parece mesmo que o tão apregoado progresso não amadureceu por aqui e continua destruindo e extinguindo o antigo para dar vez ao novo e moderno…

 

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