Página de Walter Eudes

18/10/2015

OS FRAQUEJANTES

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 07:33

OS FRAQUEJANTES

Choro as dores d’ África Brasil
de seus descendentes pelas ruas humilhados
resistindo à vida a negar reação, a clamar piedade
por esmola, atenção, pão

Invisíveis ao mundo acertado
das ganancias e vaidades
da grana e do poder…

Seguem cabisbaixos,
num clamor desesperado
da certeza do terrível a viverem:
são largados e legados à margem desse viver
que se diz acertado.

Há décadas se repete as lamúrias destes seres
já choraram as chibatas, o sangue a espirrar,
açoites diários…
Vivem agora, no oculto desse mundo,
que se diz acertado.

Não lhes bastam tamanha crueldade
ajuntam o horror da alcunha de incapazes,
inaptos e fraquejantes,
desse belo mundo acertado.

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CULTURA NORDESTINA: FORÇA NA ADVERSIDADE

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 07:28

“O sertanejo é antes de tudo, um forte”. Euclides da Cunha formulou essa conhecida afirmativa de forma conclusiva e não apenas literária. Chega a ser objeto científico de estudo por várias áreas do saber científico a determinação pela vida, do sertanejo, do nordestino. E é pela vitória da adversidade, pela sobrevivência coletiva que eclodem manifestações culturais diversas, consagradas e incorporadas por todo o Brasil e se espalhando pelo mundo. Não só o povo sertanejo, do Nordeste Brasileiro, este a enfrentar grande flagelo natural da região: a seca, mas gentes de outras faixas de biomas do Nordeste, enfrentando outros desafios, vão encontrar no período de colheita agrária típica da região, também período chuvoso, a inspiração natural para criações de arte e cultura que cada vez mais vem se refinando e se diversificando. Cada traço estético do período junino no Nordeste brasileiro tem um fio histórico merecedor de um minucioso e atento debruçar, paciente e dedicado. Estilos musicais completos, inscritos ou a serem inscrito na história mundial da música que, assim como suas respectiva danças correspondentes, constituem corpo completo de estilo artístico tal qual exige a teoria musical. Forró, xaxado, xote e baião fazem parte do estilo junino nordestino que firma-se na primeira metade do século XX, sedimenta-se a partir dos anos 50 no Brasil e adentra no século XXI sendo praticados por grupos musicais e de dança de várias partes do mundo. Mas ritmo e melodia, junto com a dança, não vão ser as características únicas desse estilo musical… some-se os temas poéticos das composições, a linguística em versos, tem-se um perfil profundo do nordestino como um todo. Complexas e comoventes poesias retratam a vida dessa gente, em sucessos e fracassos, alegrias e tristezas, desafios e conquistas, mistérios e costumes. Junte-se a culinária típica da época, trajes e uma rica e bem distinta plasticidade, tem-se um complexo sistema cultural próprio, digno de uma reverência consciente, de que uma região de grande país, pôde estabelecer com seu locus habitat, com seu historicismo, sua economia e política, específica criação coletiva de expressão cultural original e, repita-se, completa.

Evoé!… Liberdade, criatividade e democracia

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 07:26

Não há dúvida dos benefícios individuais e coletivos do carnaval brasileiro, mesmo que seja a alguém unicamente espectador, mesmo apenas pela televisão. O palco por excelência de desenvolvimento das artes do festejo, a dança, a música, a poesia está no meio da rua! Nada mais combinado com liberdade e, garantido acesso irrestrito, democrático. Criativo por gênese, o Carnaval é espécie de catarse coletiva de ocultos e reprimidos desejos, de renovação e associação com situações de vida próximas ao êxtase de felicidade: quer-se felicidade no amor, quer-se um riso e alegria perene, quer-se lançar-se a qualquer forma de expressão cultural sem os ditames técnicos ultra-exigentes, estão em iguais reconhecimentos de êxito o passo do bailarino profissional do frevo e o grotesco gingado de quem pouco pratica a dança. Uma real fantasia de felicidade de três dias (mais sábado de Zé Pereira e quarta-feira ingrata) é permitida a quem aceite vivenciar premissas civilizatórias altivas, mas tem que ser coletivamente: liberdade, criatividade e democracia…. O resto é puro usufruto, pura consequência: vemos paz, alguma ou muita, numa multidão de quase 2 milhões de pessoas em torno de alegoria mote(Galo da Madrugada), que mais é pretexto de se lançar ao urbano, subvertendo-o de sua lógica hegemônica: frenético-cronológico-laborativo. Pernas pro ar, banho de mar, fuga do ônus da formalidade cotidiana, exercício de tropicalismo coerente: saltar feito pipoca atrás do trio-elétrico, atrás da orquestra – suar, e suar muito, tropicalisticamente. Certa a alegria, especialmente se vivenciada com a superação de preconceitos às diversidades, justo a contemplá-las e também apresentá-las. Espetáculo onde todos são ao mesmo tempo espectadores e artistas, só o Carnaval tem apresentado ter tamanho potencial e, se é o carnaval brasileiro, é enriquecido incrivelmente, dada a magnífica pluralidade de miscigenação de nossa formação. Evoé!

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