Página de Walter Eudes

15/04/2019

FAKENEWS – NEFASTAS E PERVERSAS, COMO LIDAR?

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É provável que haja na contemporaneidade tão somente uma (re)adequação de conhecidas formas de entendimento quanto à questões opostas de encaminhamento às potencialidades humanas. Talvez seja o mesmo fio histórico num novo período a desafiar o entendimento atual… Que de “fakenews” já a antiguidade se remetia quanto à busca da verdade confrontada com a mentira. As plataformas digitais porém, são o que há de novo nessa batalha intensa. Ao tempo do início da construção dos meios digitais de comunicação o léxico comunicativo brasileiro ao menos, chamava de TROTE estas manifestações atuais de apresentar mentiras que se põe como referência ao público receptor. Aí, nos anos 60, 70 e 80 principalmente, também as tecnologias em voga são as plataformas de disseminação dos trotes, das fakenews. O veículo de maior abrangência de massa é a TV na segunda metade do século XX e na primeira metade o rádio. Nas relações pessoais o telefone é o meio mais usual. Uso consciente e intencional de propagar mentiras são corriqueiros e uma observação atenta à história das comunicações irá revelar várias situações de aplicação de trotes/fakenews/mentiras que resultam muitas vezes em tragédias pessoais e/ou coletivas. Remeter-se a episódios passados de uso de outras tecnologias que não a atual internet e perceber o modo de resposta à época, irá nos ajudar a se posicionar na atualidade ao fenômeno nefasto da proliferação das fakenews digitais. Notícia é prática antiga às sociedades e traz em si um poder decisivo de orientação do grande público… ao passo que é cobiça de grupos diversos de atuação social, de indivíduos que as querem deturpar ao interesse próprio, mesmo que esteja suprimida a verdade dos fatos. Daí vamos ver o fenômeno das fakenews (os antigos trotes, as velhas mentiras) ser uso deliberado de intuito desmobilizador à algumas forças sociais. Estará portanto, sempre razões políticas, históricas, econômicas, ideológicas como força motriz da produção de fakenews – a antiga disputa de poder social portanto. Cabe aos grupos de caráter rigorosamente ético, de construção participativa e libertária do saber e da notícia, de confessa intenção transformadora da ordem distributiva econômica cumulativa vigente, insistirem em praticar conteúdos claros e verdadeiros e prosseguir na denúncia das intenções destrutivas contidas nas fakenews. Eventualmente, a alguma “vítima de ocasião” compete um esforço coletivo das forçar racionais e éticas em rechaçarem fakenews maliciosas, criminosas, perversas que estejam a gerar danos imediatos ou de efeitos nocivos futuros. Exemplos mundiais mostram pessoas vitimadas por fakenews tento uma árdua tarefa de reconstrução de suas reputações pessoais dada difamação por notícias falsas. Numa situação extrema, mortes. Pessoas linchadas até a morte por terem sido acusadas de conduta criminosa, sem o ter feito a serem vítimas de fúria indomável popular momentânea (emblemático caso brasileiro registra-se em SP em maio de 2014 vitimando Fabiane de Jesus, 33 anos dona de casa.) No mundo todo ocorrem casos de fúria da população ocasionando óbitos. Daí a necessidade e pôr à agenda do dia o tema e praticar a denúncia da mentira/fakenews produzida bem como fortalecer os métodos éticos de construção de notícias. Um dos campos mais corriqueiros das mentiras digitais é o descrédito de biografias consagradas que estejam em tônica transformadora às ordens opressoras e a tentativa de elevação de biografias perversas, nefastas como salutares à coletividade. Assim, no Brasil de 2019, não é laboroso encontrar indivíduos comuns, trabalhadores e ordeiros, vítimas de fakenews que têm por exemplo, uma imagem negativa de Paulo Freire e enalteçam o torturador Cel Ustra!! Urge uma luta intensa em reverter as mentiras que avançam por intenções perversas! Um dos métodos nos mostra Paulo Freire – mais uma vítima das fakenews – está na construção saber de forma participativa, mútua e com as devidas dimensões críticas políticas que irão nos mostrar as reais intenções em depreciar pessoas sérias e comprometidas com causas coletivas humanitárias. Aliás, Paulo Freire estaria enfrentando esta onda de mentiras a sua pessoa, que já é fenômeno sociológico-político histórico brasileiro, com a experiência corriqueira de quem enfrentou a alcunha de “comunista comedor de criancinha” – (é realmente de alcance popular intenso esta cruel mentira posta nos anos 60/70 para desmobilizar as forças progressistas brasileiras que se opunham aos métodos violentos, hierárquicos e censores da Ditadura Militar: que eram todos comedores de criancinhas. Antes de virar anedota porém, esta mentira amedrontou muita gente de índole não-crítica, especialmente do meio popular.) Cumpre-nos a proteger às populações menos críticas das mentiras de ocasião à Paulo Freire, mostrando a real face do educador brasileiro de consagração internacional: crítico severo da ordem opressora, especialmente pedagógica, com método afetuoso e humanista. E diga-se ainda, esforços estes de apresentação da verdade menos por Paulo Freire, já irreversivelmente consagrado nas ciências sociais mundiais, mas mais pelo povo que está a não desfrutar de suas teses com as fakenews se adiantando à verdade.

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