Página de Walter Eudes

27/09/2019

PERNAMBUCANIDADES DO RECIFE

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IMG_20190305_152800360IMG_20190305_153956511Estive no Recife neste carnaval último, nos cantos mais pulsantes dos antigos carnavais: é a Guararapes, é o Recife Antigo, a Dantas Barreto. O deparar-se com a manutenção de tradições várias (estéticas, sociais, políticas-economicas), surpreende. É um Pernambuco, um Nordeste , um Brasil situado a uma década qualquer da primeira metade do século passado até hoje. Ali se vê (e se interage) com o Frevo de Bloco autêntico, de originalidade instrumental inclusive: pau e corda; de entoação também original: à capela, sem nenhum acessório tecnológico. Uma instância/resistência salutar? Ao certo sim… Outrossim pese os costumes senhoriais de não pouca exuberância em trajes, poses – modos e modas. Uma certa opulência a uma (falsamente humana) superioridade daquela “corte seleta” de pálidas gentes, d’Europa descendentes, de tímidos, lentos e cadentes passos – é o Frevo de Bloco, em indiscutível beleza. Algum desdém (ou rancor histórico) pese a este observador no ver do luxo recifense desfilando na avenida, perdoem a justeza de algum desinteresse maior dada no que descamba sua história nas chagas inconscientes das dores do povo d’Africa… Bem, tempos idos! Feita a lembrança histórica, todo respeito e aplausos a tão bela Arte. Reserva-se este brasileiro a simples recusa de integrar bloco carnavalesco com modos e modas aristocrático. Pondo-se por observador tão somente. Mas dizia da África? Então que há dois quarteirões do Bloco Lírico rufavam alfaias dos cortejos maracatus… E o que carecia num, abundava noutro: a negritude, os amorenamentos, o vigor percursivo, os cânticos de Orixás. A África Brasileira pulsa numa estética própria. Recife consegue se expressar sem se confrontar… Se pode haver alguma democracia, é a estética parece, bem superior a política (utópica) ou a racial (mito). Contemplados todos os ritmos e todas as expressões musicais e de danças que pode até aqui a brasilidade forjar… Uma miscelânea cultural que ainda estar por tecer diálogos intensos, gerando novas modalidades de ritmos, danças, variações do já consagrado… Cultura não somente se preserva, mas se constrói, num dinamismo criativo e crítico buscando cada vez mais abarcar e reconhecer a totalidade das possibilidades de um povo, as capacidades inventivas que tragam um aperfeiçoamento da vida em situações das mais elementares que haja às mais complexas. Entre dores e contentamentos faz-se o carnaval recifense… Coisas ainda por serem resolvidas! As décadas e séculos passados não esgotaram as querelas de classes sócio-economica deste lugar. Outrossim haja o consagrar das expressões estéticas, carece o diálogo maior e, como pede algumas vanguardas sociais, os reparos de justiça histórica.

Walter Eudes – Limoeiro-PE

Foto 1: JÂNIO BARRETO em “Tuaregue”, do Bloco Lírico O Bonde

Foto 2: WALTER EUDES no carnaval.

24/09/2019

Um marco interreligioso entre nós completa 800 anos

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 14:38

Passaram-se oito séculos da presença cristã da pessoa de Francisco de Assis em terras muçulmanas lideradas pelo Sultão Al-Malik al Kâmil, e o encontro de ambos ainda é contemporâneo. O diálogo religioso, primando pelo respeito mútuo e esforçando-se na condução da construção da paz entre as diversidades espirituais é vivenciado neste início de século XXI mas tem uma tônica similar do que viveram esses dois líderes religiosos em seu tempo. Francisco vivia sua cristandade manchada por sangue de seus irmãos católicos nas cruzadas pela Europa, pelo oriente… Recusou ir às armas em nome de Cristo e fez do diálogo sua estratégia de resposta às inquietudes de seu tempo. Igualmente o sultão que teve oportuna chance de alguma vingança a seus irmãos muçulmanos sacrificados pela estupidez dos cruzados, no entanto trata Francisco como o devido respeito a hóspede, mostra a altivez árabe que tanto se fez presente na Europa, especialmente na Ibéria por 700 anos a florescer trabalho em realizações diversas, a promover arte e cultura. Árabes e Judeus foram expulsos pelos reis espanhóis Isabel e Fernando e saíram pelo mundo em diáspora ou retornaram a terras de seus ancestrais. Muitos vieram ao novo mundo, participaram da povoação do novo continente – não poucas as famílias tradicionais do Nordeste Brasileiro trazem a ancestralidade árabe e/ou judaica em sua existência. Fato este último que motiva este cronista a pôr-se em sintonia com esta data celebrada no mundo todo, alinhar-se com as vivências ancestrais numa reverência de esforços à manutenção de valores firmados há milênios no velho mundo e aqui postos em voga – diz-se de Pernambuco/Brasil, sede deste autor; diz-se do monoteísmo.

De árabes diga-se ser Pernambuco herdeiro de muitos costumes

dada a presença conosco dos ibéricos expulsos pela inquisição moderna dos 1400, dada a presença de africanos muçulmanos escravizados. De franciscanos não se conta as influências e dedicações desta ordem à Pernambuco, ao Nordeste, ao Brasil… E some-se de: judeus, de indígenas, africanos e afrodescendentes, de orientais, perceba-se o campo fértil à tolerância religiosa entre nós brasileiros, brasileiras.

Francisco tentou exaustivamente converter Al Kamil, assim nos diz a tradição. Não obteve sucesso no intuito. Outrossim, comove a dignidade deste ramo monoteísta que em meio a barbárie vivida (guerra!) recebe um representante do inimigo e o trata em decência e integridade. Prova que mesmo nas adversidades é possível o diálogo… Digam os religiosos que é mais um milagre de São Francisco; que assim seja, se assim interpreta esta bonança. E que tal repetirmos esse milagre no contemporâneo? Carecemos dele!

Paz se faz… bem mais que deseja-la, se pratica, se faz…

O encontro está em celebração pelo mundo. Uma franca referência a se exaltar frente aos ódios e intolerâncias postos em práticas no contemporâneo, até mesmo num pais como o Brasil de amplo histórico de embates mais de classe e econômicos, quase nunca por praticas religiosas não “oficiais” (lembre-se de uma Branca Dias em Portugal-Pernambuco[1] como uma vítima de perseguição religiosa, uma raridade no historicismo brasileiro, até onde percebemos ao menos. / Excetue-se os Malês em Salvador/BH[2], que apesar da alcunha religiosa tiveram embates por questões sociais – muçulmanos inclusive estes. / Note-se o a base religiosa afroindigena dos quilombos pernambucanos dos Malunguinhos[3] no final do século XVIII e início do XIX e veja-se as perseguições sofridas por questões sociais/politicas/econômicas. Note-se assim a tônica de raras perseguições religiosas no Brasil )

Esforços de referendar este momento de 800 anos passados são sempre significativos e veem somar na contemporaneidade mundial, particularmente, a este autor à brasileira.

Walter Eudes

24/09/2019

Cena da peça “O JULGAMENTO DE BRANCA DIAS PELA INQUISIÇÃO” – Brasil 2012

Gravura das forças imperiais atacando os Malês em Salvador-BH (gravura de: ?????)

DEBRET – sobre o trabalho escravo

[1] BRANCA DIAS foi sentenciada pelo Santo Ofício no século XVI por “praticar Judasímo”

[2] MALÊS – alcunha dada aos escravos de maioria muçulmana que se rebelaram em Salvador no início século XIX. Foram capturados e mortos.

[3] MALUNGUINHOS – líderes e seguidores que se rebelaram à escravidão em Pernambuco e fundaram quilombos. De base religiosa afroindígena.

23/09/2019

Uma pulsante amerinidiade

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 16:23

Barca das Letras no Assentamento Pequeno William(Planaltina/DF) JAN2014

Não há grande hiato de tempo em que as referências sociais, produtivas, culturais destes cantos de mundo estavam em uníssono com a natureza… Ao menos para a história, é recente ainda a chegada europeia neste continente. Dos povos nativos, estabelecidos há milênios aqui, nada mais natural que ecoe-se seus modos, costumes, crenças até hoje… Também seus anseios, objetivos e aflições. Ao observador atento da vivência pernambucana/nordestina/brasileira não lhe falta motivos de percepção de nossos verdadeiros indigenismo no cotidiano mais elementar que haja. Mais que fetiches de algum romantismo insistente de lidar com nossos nativismos pré-iberocolonizador, é percepto ao abstrato do ser individual e do ser social contemporâneo as referências nativistas ameríndias a pulsar… Quem mais averso e de difícil adaptação às instituições aqui implantadas de controle e gerência do poder central social? O estado. Ramificações de códigos vários normativos legais, espaços decisórios de rumos coletivos a se tomar, poder de julgar e punir, dever de letras e ciência, amparo à desvalidos e convalescidos de modo burocratizado, preservação territorial e soberania, etc. etc. etc. O que supor dos milênios aqui firmados e ainda pulsante a um Hipócrates, em Grécia antiga, a exercer medicina prática, de alheamento completo de nossos antigos nativos? De uma imprensa guthemberguiana. Da casa de pedra e cal. Do talher?– garfo e faca. Da roupa cobrindo o corpo todo… Legados em diálogos são os do europeu ao nativismo ameríndio… Some-se os africanismos vários, teremos um complexo cultural imenso que, ao nosso ver, ainda não encontrou seu ponto de equilíbrio. Pudera haver superioridade cultural de continente a outro? Não em todos os aspectos civilizacionais, claro. Quem possa negar a escrita como um trunfo magnífico do velho mundo? Ao tempo da incrível versatilidade do ameríndio com o meio ambiente ser imensamente superior ao europeu?… e da ancestralidade africana com um arcabouço estético sonoro ímpar, lhe sendo potencial gerador de estéticas novas em todo o mundo (frevo, samba, jazz, blues, regue, maracatu, etc.). Note-se nesta, por puro arbítrio desse que redige, foco específico em aspectos pulsantes nativistas. Entre estes, o costume milenar firmado, do saber, da ciência, ser descobertos e repassados por ampla tradição oral. Este aspecto por si só, nos mostra um dado inquietante ante ao colonizador europeu que já há milênios reservava à escrita, suas das mais preciosas ferramentas de convívio social e de registros de conhecimento. Talvez tenha sido Roma Antiga para haver uma marca irreversível aos povos europeus de centrarem-se como uma das pilastras civilizatórias a escrita. Do Latim temos uma estrutura linguística escrita inquestionavelmente densa e, principalmente, utilíssima. Do desenvolvimento tecnológico de papéis, pergaminhos e papiros, definiu-se o poder da escrita. Mas como é esse encontro das tradições orais milenares ameríndias com o europeu letrado? Ao nosso ver, ainda não é concluso esse encontro… E, tão cheio de infelizes desencontros! Necessitou-se mais de quatro séculos a se conceitualizar decentemente a capacidade civilizatória de povos distintos do observador – não inferiores por distintos serem. Vem da antropologia do século XX os conceitos de reconhecimento dos nativismos de povos originários como sendo dotados de estruturas complexas de civilização e que mereciam uma atenção diversa da que até então vinham recebendo. E este conceito, proposto entre outros por Claude Lévi-Strauss ainda não está por todo assimilado por nossas instâncias modernas…

A quem possa adentrar aos interiores ruais nordestinos, vindo de uma formação e vivência de percepções urbanas e/ou metropolitanas, adepto e dependente de inúmeras tecnologias, vai experimentar às residências rurais tradicionais , das gentes campesinas de subsistência, uma inquietude de imediato indecifrável e por certo intrigante por anos a fio da existência deste observador, desta observadora: verá a ausência de modernismos elementares, uma estrutura “rude”, simplória, podendo ser interpretada como uma pauperização extrema, ao tempo de sentir esse/essa observador/a uma atmosfera de equilíbrio e harmonia à vida a impressionar. Falamos da “atmosfera milenar” do nativismo ameríndio que se confirma a um banquete que possa lhe oferecer este hipotético hóspede. A natureza farta e as pequenas nuances urbanas no meio do mato provam ali haver harmonia antropológica de níveis salutares. Some a longevidade de muitos que ali residem. E as argutezas de crianças de segunda infância que denotam uma sólida estrutura de vivência ecologizada e comunitária. Diga-se ainda da ambição maior e um tanto sagrada, com relutantes esforços de ser primaz e se possível exclusiva nas vivências individuais e comunitárias dessas gentes: o sobreviver – uma recusa ao consumismo discrepante portanto, recusa à acumulação capital financeira, ascensão social por prestígios diplomados, entre outros valores postos como sucesso do ocidente moderno. Desta prova empírica percepta em qualquer rincão interiorano, nordestino brasileiro ao menos, surge-nos um bom alerta, expresso nas culturas populares em forma de dito: “devagar com o andor!”. Das benesses que a modernidade possa trazer, o filtro do custo beneficio à milenaridade harmonizada, não pode deixar de ser parâmetro para decisões de implementação (ou não) delas… Se são estruturas consagradas num outro continente, mesmo que milenares, ainda assim cabe muitos questionares… Que não precisa se anular nada alheio que tem equilíbrio, bonança e estrutura, por razão de distinto ser, por imprescindir “de minha formação, de minha cultura”. Nos parece, repita-se, ainda haver uma tradução dos encontros, desencontros, conflitos, fusões, dos três continentes majoritários na formação do Brasil… Até aqui o que se sabe e o que se entende, junto ao que se conciliou e se consagrou é pouco ao potencial existente. Talvez sejamos, no Brasil, mútuos desconhecidos, que fomos tão somente apresentados…

Walter Eudes

Comunicador

PE/BR

18/09/2019

UM AMBÍGUO ESCRITOR ENTRE NÓS

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 14:40

 

Das dores da África e dos choros de seus filhos, fez-nos falta o escritor discernir, por certo pelo que viu da cultura implantada nos trópicos

Da gana ibérica, seus grilhões, espingardas e açoites ficaram em nuances leves em milhares de páginas optimistas a um povo que ainda não se fez…

Foi o doce das pretas que lhe fez pensar em candura mais que martírio?

Freyre é de um Brasil, que toma equânime à cultura três cantos do mundo aqui…

Freyre é de um Brasil que oculta os gritos de dor, desespero e angústia de pátrios destroçados…

Não há a paz dita!
Não com fome,
sem teto
sem terra
sem memória…

Freyre parou onde um começo não houve a todos.
O bom Brasil, doce e criativo de fato existe… A poucos porém

E quem nem Brasil tem?
E quem só incertezas conhece?
Somente com a sorte conta?
E convive com o perene medo de culpas alheias?

Ainda não Doutor Gilberto …
ainda não somos uma nova civilização nos trópicos.
Quem sabe, talvez, um dia…

 

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12/09/2019

De saudades e de saber, de saber de saudades…

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 02:04

09/09/2019

DE ALGUM PANACIONALISMO REGIONAL…

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 16:01

 

Já ouvi horrores de Nabuco (também de Freyre). Já ouvi desdém de F. J. do Amor D. Caneca. Em comum a essa gente de expressão pernambucana seus internacionalismos vanguardistas à época com base no (mesmo) regionalismo… Decorrido menos de séculos, caducam seus perfis (dirá dois séculos após!!). Não poderia ser diferente a um país tão cheio de ambiguidades… Gilberto que se lambuza do melaço do engenho sem dar ênfase intensa ao sofrimento do africano e descendentes é o mesmo Gilberto que equipara a importância constitutiva africana à formação brasileira à referência européia. De Gilberto Freyre a tese que ambos (europeu e africano) colonizaram o Brasil. Bem… eu diria que ainda estão se nativando no continente, “vendo se vinga” feito diz o matuto. Quiça tivéssemos um foco de que os de além mar cá estão a aprender…
Freyre concorre com o nazismo. Este não reconhece a dignidade africana – célebre a recusa do líder nazista em entregar a medalha olímpica ao atleta norte americano negro. No mesmo tempo de uma Europa ariana em voga, Freyre faz esforço colossal e vai mostrar a versatilidade linguística do africano ao idioma brasileiro – nenhum cocô, nenêm, xixi, branquinho, neguinho, paulinho, aninha vai desencontrar sua raiz linguística histórica: Africa (assim diz Freyre).

Nabuco também. Orador ímpar, rompeu com seu curso “natural” de berço e fez carreira política e diplomática com dedicação maior à conquista da abolição da escravatura. Era liberal. Coube-lhe até hoje as alcunhas de defensor do partido do capital financeiro – e em dado momento o era. Tornou-se conhecido no meio aristocrático como “traidor da classe”. E por mais que seja verdade que tinha Nabuco intenções de expansão mercantil com o fim da escravatura (mudança de prumo na economia: da agrária para a urbana e industrial, como já começava a experimentar a Europa), sua voz e esforços soou em favor dos/das escravizados.

O outro da tríade estamos a conhece-lo melhor ainda… Quase não lhe falam máculas (mas em breve aparece). Talvez algum excesso de romantismo não consentiu o prolongar de sua paixão por sua região e país… Foi incrível nacionalista! Talvez o primeiro brasileiro a forjar um nacionalismo radical. Foi à guerra!! A venceu, porém mais de séculos depois de morto.
Caneca, Freyre e Nabuco tiveram em comum, além de Pernambuco (e Nordeste) como base, um sentimento que somente na primeira metade do século XX foi expressado… por outro pernambucano (tinha de ser!) e não pelas letras, nem pela política, nem pela democracia, mas pela estética: Cícero Dias vem com o “xeque-mate” do internacionalismo contido em Pernambuco e solta uma frase-poema constatado em sem número de obras pictóricas: “eu vi o mundo, ele começou no Recife”.

Nos acompanha esse diálogo panacional e internacional desde muito. Diz-se do primeiro ato diplomático brasileiro do Sr. Gervázio Pires em busca nos EUA de apoio à Revolução Pernambucana de 1817. Vai ser Abreu e Lima, contemporâneo de Caneca quem recebe o título de General junto à Bolivar nas conquistas de independência na América Espânica. Diga-se, todos liberais. Em um tempo que o era vanguarda ser.

O interpretar de biografias e períodos históricos é constante… Cá entre nós, que orgulho danado de compartilhar esse regionalismo einh? O que importa é fazermos releituras sinceras, desprovidas de romantismo a fim de que quaisquer ideais libertários no presente possam de fato vir a se efetivar em vez de se protelarem longinquamente.
Entendamos a relevância de cada biografia ambígua de nosso Brasil e ponhamos o filtro da rasoabilidade a fim de preservarmos e usufruirmos de um legado que é pulsante e poderoso no contemporâneo.
“Estes montes e vales e rios, proclamando o valor de teus brios, reproduzem batalhas cruéis”

Apois é assim…
Esta “sentinela indormida e sagrada vem defendendo da pátria seus lauréis”…

De pernambuco não duvidem…
Quem sensato é, isso não faz.

Walter Eudes
09/09/2019

 

 

08/09/2019

GRITO DOS EXCLUÍDOS 2019 Limoeiro-PE

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 16:26

BREVE RELATÓRIO DE ATIVIDADES CONCRETIZADAS ALUSIVAS AO GRITO DOS EXCLUÍDOS 2019 EM LIMOEIRO-PE

por: Walter Eudes – comunicador.

Militante social em Limoeiro-PE/BRASIL

02 de setembro – conversa internética de Walter e Ana Lúcia sobre a possibilidade de realização do Grito.

03 de setembro – enquete internética via links privados, com algumas lideranças e militantes de movimentos sociais progressistas em torno da possibilidade de realização do Grito.

* em número de aproximadas 10(dez) pessoas, percebemos ânimo à realização ao tempo de receito de inviabilidade por pouco tempo a organizar.

04 de setembro – acolhida da Paróquia N. Sa do Carmo para reunião de avaliação de realizar o ato.

04 de setembro – chamado internético aos paroquianos da área N. Sa do Carmo e demais interessados/as

Como culminância da Campanha da Fraternidade 2019, Fraternidade e Políticas Públicas, convidamos os movimentos e Pastorais Sociais para uma reunião, na Igreja Matriz – Cohab, hoje (04/09), às 19hs, onde juntos iremos organizar o GRITO DOS EXCLUÍDOS a realizar-se dia 07/08/2019, cujo tema nos leva a refletir: “Esse sistema não vale”. Contamos com sua participação. Unidos construiremos um mundo melhor com amor, caridade e justiça”

04 de setembro – reunião na Matriz do Carmo , Cohab.

Presença de 5(cinco) pessoas. Desistência de qualquer mobilização na cidade. Abandono a qualquer mobilização de outras participantes, estando a Walter e Ana, ainda nos recintos da Matriz, à criação de proposta de uma panfletagem no dia 07.

05 de setembro – decisão de realizar uma panfletagem.

05 de setembro – adesão de Vinicius Emanuel, comunicador, apresentador do Programa Atualidades Católicas, frequência FM com agendamento de discussão do tema na sexta a partir das 17hs até às 18hs.

05 de setembro – Chamada ampla no publico específico à participar e/ou apoiar a inciativa: “GRITO DOS EXCLUÍDOS EM LIMOEIRO – 2019. Após encontro de participantes de anos anteriores do Grito em Limoeiro, perceber-se que não temos para 7 de setembro de 2019, articulação suficiente para realizarmos, como em outros anos a nossa caminhada pela Vida Em Primeiro Lugar. Outrossim, um grupo pequeno de resistentes resolvem ir ao espaço de concentração da população no dia 7 (como costumeiro do Grito dos Excluídos em Limoeiro), distribuir textos relativos ao tema deste ano. ” O SISTEMA NÃO VALE” estará sendo refletido nas ruas de Limoeiro. Também teremos entrevista radiofônica na sexta a tarde sobre o Grito, sobre o tema. Walter Eudes e Ana Lúcia
waltereudes@gmail.com

luciaamorim227@gmail.com

05 de setembro – benção pastoral de Pe Osmair aos organizadores

05 e 06 de setembro – divulgação ampla via internet de chamada ao programa Atualidades Católicas; convite à participação por telefone de ouvintes

05 de setembro – pesquisa de textos, estudos do tema – Walter e Ana

05 de setembro – solicitação de autorização de distribuição do texto do Monge Beneditino Marcelo Barros

06 de setembro – solicitação de apoios monetários ao propósito

06 de setembro – recebimento de autorização de distribuição do texto do Monge Beneditino Marcelo Barros

06 de setembro – confecção de 700 folhas de textos

06 de setembro – confecção de 8(oito) camisetas com o cartaz do Grito 2019

06 de setembro 16: 40 – chegada à rádio FM de Ana e Walter

16:45 – horário agendado de chegada de Vinicius Emanuel à Rádio

17:00 – início do programa Atualidades Católicas sem nenhuma referência ao Grito dos Excluídos. Apresentação: ????
17:20 – entrada de Vinícius nos studios da rádio FM 98.5 junto a Valmir Carvalho, Ana Lúcia e Walter Eudes;

Sequência do programa até às 18hs.

06 de setembro – 20:30 – jantar inclusivo – Walter, Valmir, Ana e Jorge.

07 de setembro – 8:30 início de distribuição dos textos – Valmir, Ana, ???

07 de setembro – 14:30 almoço inclusivo

07 e 08 de setembro – relatório

TEXTO DISTRIBUÍDO

grito dos exlcluidos 2019 texto final B

 

RECEITAS

* 1 resma de papel A4 – Paróquia Nossa Senhora do Carmo

* Doação 1 – R$ 20,00 (vinte reais)

* Doação 2 – R$ 50,00 (cinquenta reais)

* Doação 3 – R$ 50,00 (cinquenta reais)

* Doação 4 – R$ 100,00 (cem reais)

* Doação 5 – R$ 60,00 (sessenta reais)

DESPESAS

* 700 (setecentas) fotocópias monocromáticas frente e verso e

3(três ) cartazes coloridos A4– R$ 85,00(oitenta e cinco reais)

* Transportes (Valmir, Walter, Ana) R$ 70,00 (setenta reais)

* Camisetas R$140,00 (cento e quarenta reais)

* água, café R$ 20,00 (vinte reais)

* jantar e almoço / organização R$ 100,00 (cem reais)

Chamada para o programa radiofônico

Rádio FM Atualidades Católicas – 06/09/2019 AO VIVO

Comentário na avenida do desfile Ao Vivo 07/09/2019

Alguns conteúdos consultados:

 

https://www.gritodosexcluidos.com/

 

https://www.brasildefato.com.br/2019/09/02/o-grito-dos-excluidos-continua-pedindo-a-vida-em-primeiro-lugar/ 

 

 

 

cartaz Grito

Walter Eudes

01/09/2019

O TRIUNFO DO BANAL

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 14:59

 

Assombrosa a empolgação de muitos adeptos da Rede Globo à presença do apresentador televisivo Márcio Bonfim (de Pernambuco), transmitindo o Jornal Nacional da TV Globo. Aqui em Pernambuco somos habituados quer queira quer não à comunicação deste apresentador, haja visto se faz presente há alguns anos nos telejornais da referida emissora. Como bem sabemos, no Brasil até se escapa de uma praga bem posta por desafeto, da Globo não… Residências, espaços públicos, instalações de saúde (incrível como consultórios médicos tem sempre uma TV na sala de espera ligada na… TV Globo), praticamente todo lugar em que haja assento de espera, lá, provavelmente, vai haver um aparelho televisivo ligado na Globo. Também das ruas – camelôs, farmácias, lanchonetes, etc. E ainda restaurantes: dois, três, cinco, seis!! aparelhos de TV tela plana e enorme passando a… sim! Rede Globo. Aos regionalismos, aspecto tão marcante do Brasil, em cada canto os rostos e vozes são de muito conhecimento do público, quer queira quer não. O apresentador Márcio Bonfim fez seu trabalho neste 31 de agosto de 2019 para todo o país… E foi um frenesi em muita gente pernambucana! Em que pese a colegas de profissão, que veem talvez uma promoção ao profissional, ou a amigos e familiares que veem o esforço do comunicador por vários anos, algum festejo o é de fato adequado. Ora, é o espaço televisivo no Brasil (e na esmagadora maioria dos países do mundo) de uma projeção pessoal poderosíssima a quem o usa. Estamos falando no mínimo de um bom emprego que propicie as contas pessoais e da família bem pagas. Mas não mais que (talvez) uma promoção pessoal profissional/financeira, não reside ao trabalho de um comunicador de frequência televisiva, nenhuma razão outra de extaordinarissimo. Em que pese, mais uma vez, os regionalismos desse país gigante, perceber um perfil pessoal (voz, rosto, biotipo, gestual, expressões) de identificação diária no seu regionalismo em âmbito nacional, a causar alguma comoção, empolgação, surpresa e encantamento a quem de fato é adepto da Rede Globo e ainda não o fez a devida crítica desta emissora. Quem quer o mau para si mesmo? (excluindo-se os/as masoquistas)… “Ninguém procura o mau para si mesmo!” – é a resposta. Então, uma pessoa – exceto masoquismo – não deveria assistir a Rede Globo. Telejornais o são a programação mais nociva. E o Jornal Nacional é um conteúdo que produz um malefício diário aos brasileiros há algumas décadas. Uma leitura crítica revela essa afirmação… Muitas já foram feitas em estudos científicos, em discursos e estudos de pessoas de várias áreas do Brasil, e outros estudo serão feitos ainda para não deixar-se dúvidas à população de agora e futura: o Jornal Nacional é criminoso com viés nazista claro em sua pauta. O poder que a televisão alcançou no mundo não estava previsto em nenhum dos mais prognósticos dos intelectuais, cidadãos, jornalistas no início da imprensa livre, à época dos levantes libertários dos 1700/1800. Ao estabelecer-se as referências de uma forma governamental de poder tripartídico, reservou-se à imprensa o papel de auxílio da condução republicana, deixando livre a cada cidadão e/ou órgãos de comunicação “botar a boca no trombone ” sempre que preciso a fim de aperfeiçoamento do Estado Democrático… Não contavam que em quase dois séculos depois, esta dita força auxiliar poeria sequestrar toda uma nação com seu poder a impedir, a moldar, atuação dos três poderes, bem como influenciar a opinião das massas também aos seus moldes. A TV Globo sequestrou o Brasil há algumas décadas e ainda o mantém assim. Neste 31 de agosto de 2019, quando incia-se as comemorações dos 50 anos de instalação deste nefasto engodo jornalistico, o JN, também completa-se 3(três) anos da aplicação do impechment a Dilma Rusself.  Ora, até 31 de agosto de 2016, por mais de 4(quatro) anos, a TV Globo, especialmente o Jornal Nacional fez aberta campanha de perseguição e difamação à Dilma, ao PT principalmente, e também a Lula. Gosto de citar como exemplo maior aspecto subliminar que nem todo mundo percebe… mas vai construindo um sentimento em relação ao tema, se por anos a fio, aquele sinal comunicativo é fixado ao telespectador: refere-se à entonação de voz do publicitário Wiliam Boner quando fala a palavra “PT” (Partido dos Trabalhadores); esse publicitário por algumas milhares de vezes ao longo de 4, 5 anos, chamava qualquer matéria relacionada ao Partido dos Trabalhadores narrando a sigla PT em ríspido e despresível tom de voz – nada melódico e suave como o faz para falar “PSDB” ou “PMDB”. Quem não se deu conta disso ainda, assista! Ele continua o mesmo! e veja edições anteriores: lá está o publicitário Wiliam Boner trincando os dentes (isso mesmo!), como que cuspindo, de expressão facial fechadíssima, severa e ameaçadora a dizer secamente as duas sílabas: “Pê Tê”. Junta-se a esta técnica de entonação de voz os ângulos de câmera, a iluminação, movimento de câmera e edição do falso jornalismo de nome Jornal Nacional. Não dá outra: quem assiste milhares de vezes esse truque vai tomar ódio do “Pê Tê”. E assim querem os financiadores da TV Globo: um povo com ódio de forças políticas que valorizam a classe trabalhadora e a soberania nacional… com um povo eleitor golpeado por técnicas subliminares, quem chega ao poder são os políticos do interesse do alto capital financeiro nacional e internacional que só  querem mesmo é  rapinar o país, além de explorar a classe trabalhadora. Além das técnicas de apresentação, as matérias escolhidas também vão sequestrar as instituições, importantes e influentes pessoas e o povo… O Jornal Nacional pode por exemplo abrir sua edição com Wiliam Boner de rosto seríssimo como que anunciar uma bomba atômica (isso mesmo!! como a anunciar uma explosão de bomba atômica!!) e citar de “dois pedalinhos que a falecida ex-primeira dama do Brasil havia comprado para um sítio que frequentava”… ou, no mesmo tom, que dois tíquetes de pedágio foram descobertos numa das estradas que leva ao sítio em que o ex-presidente Lula descansava. Com o mesmo tom de BOMBA ATÔMICA DETONADA, anuncia o blefe de jornalista Wiliam Boner que “um barco foi encontrado em nome de Lula”… e assim vão construindo um verdadeiro TERROR nas mentes brasileiras menos críticas – e, infelizmente, essa parcela da população é a maioria do povo. Ao tempo de dedicar 10(dez) minutos para mostrar a compra de um barco de lata (COM NOTA FISCAL!!) ser o maior problema do Brasil, pode essa redação de (pseudo)jornalismo, colocar uma moça reporter bem bonita falando pausadamente, com um largo sorriso, em plano aberto, numa área externa, com profundidade de campo, sem nenhum desconforto no local onde está, anunciando esta moça “a venda do pré-sal brasileiro” ou “a privatização da Embraer”. Assim mesmo, quase que saltitante de alegria. Ou, jornalistas veteranos como Delis Ortiz apresentar as negociatas de Temer para se livrar dos processos que lhe foram impostos como negócios muito naturais! Lá está a voz da jornalista de modo muito suave, melódico e sorridente, dizendo o que pedem os deputados e o que oferece Temer para votar “Não” e o processo não seguir para o supremo – foi assim por duas vezes.

Discorrer sobre as estratégias manipuladoras da TV Globo é menu extenso… Some-se esse novato: extrair perfis regionais de profissionais a pô-los em primeiro plano da grade nacional como a apresentar uma atenção aos regionalismos. A grade regional da TV Globo é irrisória, outrossim cada região tenha profissionais, técnicas e estrutura para desenvolver sua grade bem mais extensa do que é.

Com o sequestro das mentes, a TV Globo faz de suas transmissões nacionais um dos espaços mais “prestigiados” do país e assim, explora a apresentação do Jornal Nacional como a uma promoção do comunicador/comunicadora regional. Mas é mesmo o que a TV Globo tem a oferecer a seu público além de manipulações: NADA. Porquê não é nada extraordinário, em absoluto, um comunicador regional apresentar um telejornal nacional. Nenhuma especialidade reside nisso. Em hipótese alguma haverá mudança sine-qua-non à vida dos telespectadores ante a um fato desta ordem, nem mesmo muda a estrutura da programação da emissora… Definitivamente é banal, mais banal ainda quando o substituto(ou convidado) faz o que deve ser feito na função, e… nada mais que isto. Pesa sim ao indivíduo exposto em rede nacional televisiva, sua imagem pessoal: um forte vínculo com a emissora em que atua. E quando é a Rede Globo isto é muito ruim para qualquer pessoa – há  exceções porém, como a Wiliam Boner. Então, aos adeptos da Rede Globo, hoje, 31 de agosto de 2019, houve “uma novidade”, “um diferencial” no seu (falso)jornalismo televisivo, algo que em Pernambuco, a muitos fans  deste monstro maldoso que é a Globo foi festejado. Lamento muito isso. É realmente muito triste vermos muitas pessoas perderem seu tempo celebrando euforicamente uma banalidade e nada mais que uma banalidade. E lamento a Marcio Bonfim, que em Pernambuco  o vejo desenvolver um jornalismo útil, junto à redação da TV Globo Nordeste – com grade pequena, em um turbilhão de fatos acontecendo, fazendo os esforços precisos… Ao Jornalismo televisivo pernambucano cabe um outro texto opinativo, mas em linhas gerais põe-se em foco ao tema, à matéria, e toda a estrutura envolta na notícia segue por orientação ao que está sendo posto,  cumprindo-se de algum modo ao fim maior: informar. Em que pese bairrismos deste escritor, há um diferencial do jornalismo pernambucano ao sudestino ao menos, e ao certo aos de rede nacionais… Daí que é sofrível vermos um excelente repórter televisivo como Macio Bonfim  sentar à cadeira de um farsante como Wiliam Boner – este não é jornalista e insiste em fazer as vezes de tal. Picareta.

 

Walter Eudes

Bel Comunicador

Pernambuco

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