Página de Walter Eudes

07/12/2019

O JOVEM JAKOBSON

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Me diz de sua atenção às tradições populares consolidadas em seu país… De serem motivo de estudos acadêmicos o acompanhando até seu doutorado na Tchecoslováquia.

Um modo de se aperceber da ciência que encoraja a muita gente ainda hoje!! Ver das tradições criativas populares/históricas suas riquezas conceituais e estéticas construídas alheias ao cientifismo acadêmico…

É impossível negar o turbilhão de saberes acumulados em séculos e séculos (milênios!) antes da (onipotente) modernidade encaixotar o acesso ao saber e restringir títulos de notoriedades sapiens…
Mas é impossível romper com o fio histórico da ciência… Se hoje está, acertadamente, classificada, mensurada e tecnicizada, outrora foi livre de burocracias e domínios, foi atividade mais democraticizada.

Gosto da persistência anscestral pulsando nas inconsciências coletivas e individuais com suas referências interpessoais das relações diárias que atribuem acertados títulos de mestres, Mestras e doutores a quem traz instrinscico saberes densos por tradições antigas consolidadas e eficazes.

Precisamos estreitar esses espaços de ciência estabelecidos em nossa era: os da modernidade acadêmica com seus cânones ultra rigorosos e os dos meios diversos das populações em inimagináveis momentos e locais de estudo e ensino… Como a uma praça qualquer de uma cidade qualquer…

11/11/2019

diálogo com o catolicismo

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10/11/2019

DIÁLOGO COM O CATOLICISMO

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08/11/2019

NOVA PINTURA DA IGREJA MATRIZ DE LIMOEIRO

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A primeira igreja Matriz de Limoeiro vai ficar com cara de Catedral!! Pintura nova na antiga Matriz de N. Sa. Da Apresentação em andamento! É o zelo com a memória arquitetônica de Limoeiro sendo posto em prática !! IMG_20191108_082145866

23/10/2019

AINDA DOS 7O ANOS DA DUDH

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 12:35

Ao ano de 2018, celebrou-se os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Em tempos de intolerância e muita falta de conhecimento, me pus em iniciativa solo para divulgar alguns conteúdos do tema na cidade onde resido e dispor-se ao debate e ao refletir. A indústria da violência, setores da mídia inescrupulosa e os sistemas econômicos de orientação neo-liberal insistem em tentarem imprimir uma alcunha pejorativa aos Direitos Humanos… É reduzido a farsa porém, estes intuitos maldosos quando apresentamos fatos históricos. Pude distribuir texto sobre os 70 anos da DUDH fotocopiados, gratuitamente. Transitando por todo centro da cidade, conversando com dezenas de pessoas e a algumas centenas deixando o texto em mãos, vi-me no motivar à corresponder-me com a Europa – local que nos anos iniciais do século XX, deixou-se a definitiva lição do que a humanidade não pode apoiar… A DUDH surge como resposta imediata ao terror da guera que dizimou milhões de pessoas, às ideias genocidas às diversidades do ser humano. De feita que pus-me neste período de trabalhos de campo em escrita direta ao Pontífice Católico, Bergólio e a Alta Comissariada da ONU para DH a Sr. Michele Bahelet. Modo de registro pessoal desta atividade informativa e reflexiva e também de somar às citadas autoridades nesta luta de nossa época: todos e todas temos os mesmos direitos básicos à vida, os direitos humanos.

Esta a carta de agredecimentos do Pontífice IMG_20191023_001239

Carta à Genebra SW – Michele Bachelet

Seguimos nos esforços do constante diálogo para construção de sociedades mais atentas aos desafios do presente, sempre com referências aos acúmulos do passado.

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Walter Eudes DEZ/18 – MAR/19

20/10/2019

ENTREVISTA À RÁDIO JORNAL DO COMÉRCIO – LIMOEIRO-PE

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 14:25

Entrevista minha e do Babalorixá João de Xangô ao radialista Alfredo Neto no dia 15 de outubro de 2019 na rádio jornal do comércio, 660 Mhz.

 

EDIÇÃO, 25 OUTUBRO – este material saiu do ar devido a erro linguístico do idioma francês quanto ao nome próprio da Dra citada. O material conosco passará por estudo de edição para perceber-se se há aproveitamento do mesmo.

 

16/10/2019

DIA DO PROFESSOR E DA PROFESSORA NO ILÊ

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 14:27

Professor João de Xangô deu uma belíssima aula no Ilê ALADÁ MEJI , Rua da Alegria em Limoeiro-PE. Ao plantio de mudas de dendê, ouvimos cantos de orixás, sempre acompanhado de uma pedagogia clara das energias invocadas pelo yourubá, pelos instrumentos percursivos ritualísticos agogôs e abês. A milenaridade pulsante no Ilê traz-nos a reflexão da necessidade de revisão de nosso modo de interação com a natureza… Tomar a palmeira como vida parte da comunidade, dando-lhe uma atenção especial é de fato, necessidade atual. O adulto pé de dendê foi quem brilhou nessa ritualística. Em dado instante, ante as referências ritualísticas do Babalorixa João de Xangô, surgiu-nos impoluto, poderoso, firme e emanando suas energias a belíssima palmeira. Anda tolhido pela urbanidade, quer expansão e seu pedido foi atendido pela comunidade do Ilê: irá mudar-se!! 80(oitenta) mudas irão germinar! 

Significativo que tenha sido esta ritualística ocorrido ao dia do professorado. Que é de ensino e aprendizado perene que se tem mantida as tradições Afrodescendentes no Brasil… E é pela oralidade que se tem os processos pedagógicos nesta tradição. Pôr-se nesta situação, de aprendiz na oralidade, é dar um reconhecimento necessário e urgente: saberes acadêmicos não encerram a totalidade do alto saber de um povo! O mestre Paulo Freire já nos dizia em vários momentos: “não há quem não tenha o que aprender nem quem não tenha o que ensinar”
Seguindo minhas referências paradigmáticas estruturais ponho-me itercambiador desses campos de saberes, de ciência… Os compêndios acadêmicos científicos e as tradições orais dos saberes milenares acumulados contidos no universo das linhagens Afrodescendentes pernambucanas/nordestinas/brasileiras.
É Gramsci que nos avisa que pode-se realizar uma enorme contribuição a uma ampla coletividade, se somente se plorifera o conhecimento já alcançado e acumulado… Levá-lo a mais gente. Socializa-lo por assim dizer. E esta contribuição à evolução de uma coletividade é muito significativa e tão mais que criar algo novo…
Portanto, preservar e ampliar acesso aos saberes existentes é objetivo que nos dignifica nas lidas de entendimento e melhoria do mundo e a busca de aperfeiçoamento das nossas qualidades de vida…
E se tem ramificações distintas de gênese, separadas por milenaridade e amplas geografias, aí está para facilitar o diálogo a modernidade com suas potencialidades interativas e interpretativas bem como a brasilidade com sua ampla miscigenação, inda que de larga desigualdade material entre suas partes constitutivas.
AULA DE CANDOMBLÉ – foi um dos trabalhos no dia de hoje do notório mestre João Batista de Xangô.
Também AULA DE TOLERÂNCIA, pela professora Ana Lúcia, espectadora, de credo Católico, e assim como eu, reconhecedora das lutas das comunidades de terreiro em viverem suas religiosidades em paz.
Sigamos nos ânimos do diálogo, da tolerância às diferenças que não anulam o potencial de nossa união por situações benfazejas para todos e todas.

Walter Eudes
15/10/2019

 

 

 

27/09/2019

PERNAMBUCANIDADES DO RECIFE

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IMG_20190305_152800360IMG_20190305_153956511Estive no Recife neste carnaval último, nos cantos mais pulsantes dos antigos carnavais: é a Guararapes, é o Recife Antigo, a Dantas Barreto. O deparar-se com a manutenção de tradições várias (estéticas, sociais, políticas-economicas), surpreende. É um Pernambuco, um Nordeste , um Brasil situado a uma década qualquer da primeira metade do século passado até hoje. Ali se vê (e se interage) com o Frevo de Bloco autêntico, de originalidade instrumental inclusive: pau e corda; de entoação também original: à capela, sem nenhum acessório tecnológico. Uma instância/resistência salutar? Ao certo sim… Outrossim pese os costumes senhoriais de não pouca exuberância em trajes, poses – modos e modas. Uma certa opulência a uma (falsamente humana) superioridade daquela “corte seleta” de pálidas gentes, d’Europa descendentes, de tímidos, lentos e cadentes passos – é o Frevo de Bloco, em indiscutível beleza. Algum desdém (ou rancor histórico) pese a este observador no ver do luxo recifense desfilando na avenida, perdoem a justeza de algum desinteresse maior dada no que descamba sua história nas chagas inconscientes das dores do povo d’Africa… Bem, tempos idos! Feita a lembrança histórica, todo respeito e aplausos a tão bela Arte. Reserva-se este brasileiro a simples recusa de integrar bloco carnavalesco com modos e modas aristocrático. Pondo-se por observador tão somente. Mas dizia da África? Então que há dois quarteirões do Bloco Lírico rufavam alfaias dos cortejos maracatus… E o que carecia num, abundava noutro: a negritude, os amorenamentos, o vigor percursivo, os cânticos de Orixás. A África Brasileira pulsa numa estética própria. Recife consegue se expressar sem se confrontar… Se pode haver alguma democracia, é a estética parece, bem superior a política (utópica) ou a racial (mito). Contemplados todos os ritmos e todas as expressões musicais e de danças que pode até aqui a brasilidade forjar… Uma miscelânea cultural que ainda estar por tecer diálogos intensos, gerando novas modalidades de ritmos, danças, variações do já consagrado… Cultura não somente se preserva, mas se constrói, num dinamismo criativo e crítico buscando cada vez mais abarcar e reconhecer a totalidade das possibilidades de um povo, as capacidades inventivas que tragam um aperfeiçoamento da vida em situações das mais elementares que haja às mais complexas. Entre dores e contentamentos faz-se o carnaval recifense… Coisas ainda por serem resolvidas! As décadas e séculos passados não esgotaram as querelas de classes sócio-economica deste lugar. Outrossim haja o consagrar das expressões estéticas, carece o diálogo maior e, como pede algumas vanguardas sociais, os reparos de justiça histórica.

Walter Eudes – Limoeiro-PE

Foto 1: JÂNIO BARRETO em “Tuaregue”, do Bloco Lírico O Bonde

Foto 2: WALTER EUDES no carnaval.

24/09/2019

Um marco interreligioso entre nós completa 800 anos

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Passaram-se oito séculos da presença cristã da pessoa de Francisco de Assis em terras muçulmanas lideradas pelo Sultão Al-Malik al Kâmil, e o encontro de ambos ainda é contemporâneo. O diálogo religioso, primando pelo respeito mútuo e esforçando-se na condução da construção da paz entre as diversidades espirituais é vivenciado neste início de século XXI mas tem uma tônica similar do que viveram esses dois líderes religiosos em seu tempo. Francisco vivia sua cristandade manchada por sangue de seus irmãos católicos nas cruzadas pela Europa, pelo oriente… Recusou ir às armas em nome de Cristo e fez do diálogo sua estratégia de resposta às inquietudes de seu tempo. Igualmente o sultão que teve oportuna chance de alguma vingança a seus irmãos muçulmanos sacrificados pela estupidez dos cruzados, no entanto trata Francisco como o devido respeito a hóspede, mostra a altivez árabe que tanto se fez presente na Europa, especialmente na Ibéria por 700 anos a florescer trabalho em realizações diversas, a promover arte e cultura. Árabes e Judeus foram expulsos pelos reis espanhóis Isabel e Fernando e saíram pelo mundo em diáspora ou retornaram a terras de seus ancestrais. Muitos vieram ao novo mundo, participaram da povoação do novo continente – não poucas as famílias tradicionais do Nordeste Brasileiro trazem a ancestralidade árabe e/ou judaica em sua existência. Fato este último que motiva este cronista a pôr-se em sintonia com esta data celebrada no mundo todo, alinhar-se com as vivências ancestrais numa reverência de esforços à manutenção de valores firmados há milênios no velho mundo e aqui postos em voga – diz-se de Pernambuco/Brasil, sede deste autor; diz-se do monoteísmo.

De árabes diga-se ser Pernambuco herdeiro de muitos costumes

dada a presença conosco dos ibéricos expulsos pela inquisição moderna dos 1400, dada a presença de africanos muçulmanos escravizados. De franciscanos não se conta as influências e dedicações desta ordem à Pernambuco, ao Nordeste, ao Brasil… E some-se de: judeus, de indígenas, africanos e afrodescendentes, de orientais, perceba-se o campo fértil à tolerância religiosa entre nós brasileiros, brasileiras.

Francisco tentou exaustivamente converter Al Kamil, assim nos diz a tradição. Não obteve sucesso no intuito. Outrossim, comove a dignidade deste ramo monoteísta que em meio a barbárie vivida (guerra!) recebe um representante do inimigo e o trata em decência e integridade. Prova que mesmo nas adversidades é possível o diálogo… Digam os religiosos que é mais um milagre de São Francisco; que assim seja, se assim interpreta esta bonança. E que tal repetirmos esse milagre no contemporâneo? Carecemos dele!

Paz se faz… bem mais que deseja-la, se pratica, se faz…

O encontro está em celebração pelo mundo. Uma franca referência a se exaltar frente aos ódios e intolerâncias postos em práticas no contemporâneo, até mesmo num pais como o Brasil de amplo histórico de embates mais de classe e econômicos, quase nunca por praticas religiosas não “oficiais” (lembre-se de uma Branca Dias em Portugal-Pernambuco[1] como uma vítima de perseguição religiosa, uma raridade no historicismo brasileiro, até onde percebemos ao menos. / Excetue-se os Malês em Salvador/BH[2], que apesar da alcunha religiosa tiveram embates por questões sociais – muçulmanos inclusive estes. / Note-se o a base religiosa afroindigena dos quilombos pernambucanos dos Malunguinhos[3] no final do século XVIII e início do XIX e veja-se as perseguições sofridas por questões sociais/politicas/econômicas. Note-se assim a tônica de raras perseguições religiosas no Brasil )

Esforços de referendar este momento de 800 anos passados são sempre significativos e veem somar na contemporaneidade mundial, particularmente, a este autor à brasileira.

Walter Eudes

24/09/2019

Cena da peça “O JULGAMENTO DE BRANCA DIAS PELA INQUISIÇÃO” – Brasil 2012

Gravura das forças imperiais atacando os Malês em Salvador-BH (gravura de: ?????)

DEBRET – sobre o trabalho escravo

[1] BRANCA DIAS foi sentenciada pelo Santo Ofício no século XVI por “praticar Judasímo”

[2] MALÊS – alcunha dada aos escravos de maioria muçulmana que se rebelaram em Salvador no início século XIX. Foram capturados e mortos.

[3] MALUNGUINHOS – líderes e seguidores que se rebelaram à escravidão em Pernambuco e fundaram quilombos. De base religiosa afroindígena.

23/09/2019

Uma pulsante amerinidiade

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Barca das Letras no Assentamento Pequeno William(Planaltina/DF) JAN2014

Não há grande hiato de tempo em que as referências sociais, produtivas, culturais destes cantos de mundo estavam em uníssono com a natureza… Ao menos para a história, é recente ainda a chegada europeia neste continente. Dos povos nativos, estabelecidos há milênios aqui, nada mais natural que ecoe-se seus modos, costumes, crenças até hoje… Também seus anseios, objetivos e aflições. Ao observador atento da vivência pernambucana/nordestina/brasileira não lhe falta motivos de percepção de nossos verdadeiros indigenismo no cotidiano mais elementar que haja. Mais que fetiches de algum romantismo insistente de lidar com nossos nativismos pré-iberocolonizador, é percepto ao abstrato do ser individual e do ser social contemporâneo as referências nativistas ameríndias a pulsar… Quem mais averso e de difícil adaptação às instituições aqui implantadas de controle e gerência do poder central social? O estado. Ramificações de códigos vários normativos legais, espaços decisórios de rumos coletivos a se tomar, poder de julgar e punir, dever de letras e ciência, amparo à desvalidos e convalescidos de modo burocratizado, preservação territorial e soberania, etc. etc. etc. O que supor dos milênios aqui firmados e ainda pulsante a um Hipócrates, em Grécia antiga, a exercer medicina prática, de alheamento completo de nossos antigos nativos? De uma imprensa guthemberguiana. Da casa de pedra e cal. Do talher?– garfo e faca. Da roupa cobrindo o corpo todo… Legados em diálogos são os do europeu ao nativismo ameríndio… Some-se os africanismos vários, teremos um complexo cultural imenso que, ao nosso ver, ainda não encontrou seu ponto de equilíbrio. Pudera haver superioridade cultural de continente a outro? Não em todos os aspectos civilizacionais, claro. Quem possa negar a escrita como um trunfo magnífico do velho mundo? Ao tempo da incrível versatilidade do ameríndio com o meio ambiente ser imensamente superior ao europeu?… e da ancestralidade africana com um arcabouço estético sonoro ímpar, lhe sendo potencial gerador de estéticas novas em todo o mundo (frevo, samba, jazz, blues, regue, maracatu, etc.). Note-se nesta, por puro arbítrio desse que redige, foco específico em aspectos pulsantes nativistas. Entre estes, o costume milenar firmado, do saber, da ciência, ser descobertos e repassados por ampla tradição oral. Este aspecto por si só, nos mostra um dado inquietante ante ao colonizador europeu que já há milênios reservava à escrita, suas das mais preciosas ferramentas de convívio social e de registros de conhecimento. Talvez tenha sido Roma Antiga para haver uma marca irreversível aos povos europeus de centrarem-se como uma das pilastras civilizatórias a escrita. Do Latim temos uma estrutura linguística escrita inquestionavelmente densa e, principalmente, utilíssima. Do desenvolvimento tecnológico de papéis, pergaminhos e papiros, definiu-se o poder da escrita. Mas como é esse encontro das tradições orais milenares ameríndias com o europeu letrado? Ao nosso ver, ainda não é concluso esse encontro… E, tão cheio de infelizes desencontros! Necessitou-se mais de quatro séculos a se conceitualizar decentemente a capacidade civilizatória de povos distintos do observador – não inferiores por distintos serem. Vem da antropologia do século XX os conceitos de reconhecimento dos nativismos de povos originários como sendo dotados de estruturas complexas de civilização e que mereciam uma atenção diversa da que até então vinham recebendo. E este conceito, proposto entre outros por Claude Lévi-Strauss ainda não está por todo assimilado por nossas instâncias modernas…

A quem possa adentrar aos interiores ruais nordestinos, vindo de uma formação e vivência de percepções urbanas e/ou metropolitanas, adepto e dependente de inúmeras tecnologias, vai experimentar às residências rurais tradicionais , das gentes campesinas de subsistência, uma inquietude de imediato indecifrável e por certo intrigante por anos a fio da existência deste observador, desta observadora: verá a ausência de modernismos elementares, uma estrutura “rude”, simplória, podendo ser interpretada como uma pauperização extrema, ao tempo de sentir esse/essa observador/a uma atmosfera de equilíbrio e harmonia à vida a impressionar. Falamos da “atmosfera milenar” do nativismo ameríndio que se confirma a um banquete que possa lhe oferecer este hipotético hóspede. A natureza farta e as pequenas nuances urbanas no meio do mato provam ali haver harmonia antropológica de níveis salutares. Some a longevidade de muitos que ali residem. E as argutezas de crianças de segunda infância que denotam uma sólida estrutura de vivência ecologizada e comunitária. Diga-se ainda da ambição maior e um tanto sagrada, com relutantes esforços de ser primaz e se possível exclusiva nas vivências individuais e comunitárias dessas gentes: o sobreviver – uma recusa ao consumismo discrepante portanto, recusa à acumulação capital financeira, ascensão social por prestígios diplomados, entre outros valores postos como sucesso do ocidente moderno. Desta prova empírica percepta em qualquer rincão interiorano, nordestino brasileiro ao menos, surge-nos um bom alerta, expresso nas culturas populares em forma de dito: “devagar com o andor!”. Das benesses que a modernidade possa trazer, o filtro do custo beneficio à milenaridade harmonizada, não pode deixar de ser parâmetro para decisões de implementação (ou não) delas… Se são estruturas consagradas num outro continente, mesmo que milenares, ainda assim cabe muitos questionares… Que não precisa se anular nada alheio que tem equilíbrio, bonança e estrutura, por razão de distinto ser, por imprescindir “de minha formação, de minha cultura”. Nos parece, repita-se, ainda haver uma tradução dos encontros, desencontros, conflitos, fusões, dos três continentes majoritários na formação do Brasil… Até aqui o que se sabe e o que se entende, junto ao que se conciliou e se consagrou é pouco ao potencial existente. Talvez sejamos, no Brasil, mútuos desconhecidos, que fomos tão somente apresentados…

Walter Eudes

Comunicador

PE/BR

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