Página de Walter Eudes

25/01/2026

MODERNIDADE EM COLAPSO

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 15:09



Pode tardar, mas não vai falhar, a quaisquer pessoa, que disponha a buscar entendimentos de tantas querelas contemporâneas em perceber que antiga crise assola a humanidade: a da MODERNIDADE.
A uns, por uma sorte, vantagem de oportunidade ou esforço desmedido, percebe logo, na juventude ainda, que está tudo “revirado ‘ nos padrões, modos e indicativos da modernidade… Percebe o indivíduo que por mais que se esforce em consorciar seus objetivos, seus empenhos e esforços, anseios e energia a algo, fatalmente irá se deparar com uma enxurrada de problemas (ainda insolúveis) a lhe trazer infortúnios vários, bem como infortúnios a coletivos. Outrossim, diga-se, possa haver muitas bonanças, êxitos…
Esta é a era da incrível penicilina, mas também da horrenda bomba atômica. Ao tempo de tecnologias mecânicas e agroindustriais para produção de mais e mais alimentos, fomes a milhões de seres humanos há. Do benefício dos transportes aéreos às agressões ao meio ambiente. Hiper industrialização com hospitais lotados por insuficiência respiratória proveniente das fumaças industriais.
Políticos tiranos e também humanistas.
Guerras e mais guerras.
Acúmulo financeiro exarcebado a poucos.
Um verdadeiro caos, verdadeira tragédias cibilizatorias.
Disso, obviamente, concluí qualquer pessoa de bom senso: ASSIM NÃO DÁ! E pois, passa-se a buscar novas formas de interações humanas e sociais que possam superar ou minimizar este caos total. Aí é que reside a inteligência do contemporâneo… Em não se deixar levar pelas “seduções do stabelishement ‘ e criar ou se somar a formas novas de interações, de labor que possam dar vazão as demandas individuais e sociais, assegurando extrema dignidade aos indivíduos. Isto é dificílimo!! É um esforço colossal e uma busca constante, onde alcançar um bom termo até não seja impossível, todavia manter o bom andamento ou repetir com constância é raríssimo e dificilimo. Ora porquê? Porquê se usa desta mesma modernidade em crise aguda , de seus componentes estruturais para compor algo novo, conduzir coisas consolidadas, dar continuidade a êxitos… Praticamente, inevitavelmente ruirá em dados momento aquela forma, inciativa, empenho exitoso.
É em tudo que se possa imaginar!. Na alimentação, na arte, na educação, saúde, leis, política, religião, comunicações, meio ambiente, no psíquico individual, na urbes, no campo, etc, etc, etc
Daí, uma estratégia salutar e inteligente, parece ser o preservar de alguns aspectos que estariam ainda imunes à grande crise da modernidade – que é de genesis, diga -se… Se o indivíduo conseguir ter referências , mesmo que poucas, firmes, coerentes, idôneas, lógicas, por certo terá uma força a lhe manter atuante no emaranhado crítico em que vivemos – se para “o novo”, se para o “revisionismo”, se para a “crítica aguda”; nunca à continuidade replicante, visto já mostrado um fracasso os modos até aqui postos como “exemplares”.
A questão é qual, quais são tais “pontos de certezas”, de apoio.
Quase tudo está abalado, sabiamente questionado e em constante mudança…
O QUE SERÁ? ONDE ESTARÁ?

Walter Eudes
Pernambuco
25/01/25

24/01/2026

COUSAS DO BRASIL, COUSAS DO ESTRANGEIRO

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 10:13

COUSAS

É cada vez mais impossível haver, na modernidade, quaisquer aspecto estruturante de dada coletividade que não tenha “componentes” de originalidade em lugares diversos a que se manifesta… Porquê a modernidade aproxima culturas, povos, pondo suas estruturas constitutivas ao apreço de outras de modo rápido e corriqueiro… Ao que pudesse passar muitos anos, até décadas ou séculos a se sedimentar em lugares distos do originário, já a um tempinho é rapidinho e já estamos vivenciando alguma novidade em nosso cotidiano, sem termos nenhuma certeza de continuidade e incorporação ao dia – a – dia das populações. É um ritmo de “atualizações” dificílimo de acompanhar, sem hiato temporal muitas vezes de mensurar o que vem a ser benéfico aos grupamentos populacionais.
Há todavia, algumas referências (ainda) firmadas com muita ênfase aos modos do viver de coletivos populacionais em que pode-se ter alguma certeza de perdurar a outras gerações – claro, o que vem a ser benfasejo. Certo é que tais estruturas densas, não carecem de abandono visto trazerem resultados altivos, salutares , inteligentes e criativos aos grupos. Daí, num emaranhado de possibilidades, estarão coisas firmes; pelo tempo consagradas por usufruto coletivo de várias gerações, por reconhecimento de várias culturas de sua pertinência, por resultados salutares de suas práticas –  taí o carnaval brasileiro (no Brasil) que não deixa negar este aspecto.
Mas o que dizermos a cousas “novas”, que venham a ser constituídas de variados elementos “alheios” a uma dada coletividade , a partir do historicismo cultural desta, com estruturas várias que a modernidade “autoriza” o uso, diálogo das mesmas, mesmo sendo alheias ali em origem? A cautela é prudente, a meu ver… Não por conservadorismo tosco, mas por receio de alguma aderência a “mera moda” que não vai se somar àquelas estruturas densas já firmadas no tempo , somando ao arcabouço das cousas já firmadas de fato.
É imprescindível acompanhar a cada nova forma ou estrutura surgida em que apreço e “adoção” por amplos coletivos sua linha formativa histórica e lhe pôr ao caráter justo se de continuidade ao que já encontra -se “ali” consolidado, se a trazer novas ou novíssimas estruturas a serem “digeridas” e posteriormente incorporadas à dada população (não importa o tempo que perdure – se de anos, décadas ou séculos), se é e continua a ser um estrangeirismo , sempre tratado como cabe ser: alheio ao local; claro, sem que não traga efeitos benefícicos à coletividade foco – taí a pizza no Brasil, que é totalmente incorporada ao “modo de ser brasileiro” em meio século no máximo. Assim como a resistência brasileira em adotar um bilinguismo no viver pessoal e social, embora seja povoado de dezenas de possibilidades disto…
Então, convém o exercício da observação analítica das estruturas em que mergulhamos emoções, espectativas, esperanças, especialmente aos mais jovens, que traçam seus esforços à suas biografias em decisões que podem lhes aproximar cada vez mais da “gente real” de seu lugar, ou distancia-los, as vezes sem se dar conta disto, os levando a um viver quase alheio no seio de sua gente.
Para a escolha (que parece ser importante!) ser pertinente, sábia, a não pôr o indivíduo numa verdadeira opção equivocada e desnecessária, trazendo insucessos práticos de seus empenhos, cumpre criar algumas estratégias que funcionam como uma “âncora” à sua coletividade , lhe deixando sempre atento ao que importa mais (se assim pensa o eventual leitor/a deste): qualidade de vida ampla a todos, abundância de justiça, solidariedade, criatividade – um mundo melhor). Não há regra definitiva à esta “âncora” e pode a mesma estar na natureza, em atividades sociais, na observação crítica da realidade, no hábito de pertencimento e manutenção de grupos culturais, na leitura, na escrita, na criação de obras de artes, na crítica à obras de arte, na militância política, participação cidadã, etc.
Vai ocorrer, que estabelecendo um vínculo ativo às devidas estruturas “consagradas” por um historicismo e uma coletividade, estará o indivíduo se pondo em pura vanguarda por atestar a permanência do que “já não se discute” , ou pouco cabe discussão, se há ali bonança ou malefício… Porquê já é percebido, repita-se, por uma linha continua histórica, detectando uma construção coletiva, uma sedimentação, repita-se, salutar, ética, felicitosa… A isto chama-se de TRADIÇÃO.
E esta é a “régua” base que pode previnir um eventual “erro de cálculo” àquele projeto pessoal, coletivo em surgimento, ascensão, apreço a lhe trazer infortúnios futuros (se por criação ou mesmo adesão a tais projetos)… Se está consagrada na tradição a estrutura nova, assimilar-se-á sem maiores infortúnios; caso tutubie à tradição, a cautela deve ser posta como “”escudo “.
Assim, acatemos as necessárias críticas… Que possam (oxalá) previnir infortúnios de várias ordens a indivíduos, a coletividades.

Walter Eudes
Limoeiro do Capibaribe
23/01/26

22/01/2026

PARTICIPAÇÃO CIDADÃ – é necessário e é um direito!

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 02:02

o caso da biblioteca pública de Limoeiro-PE e mais medidas da área.

Precisa haver exercício costumeiro da população em utilizar-se dos recursos que lhes são possíveis de participação cidadã na gestão da cousa pública. Vários instrumentos estão em pleno funcionamento e podemos nós utilizarmos deles para, no mínimo, emitirmos nossa opinião a cerca de aspectos que nos dizem respeito, seja por nossas vivências profissionais, comunitárias, de postura política mesmo. As decisões finais cabem aos gestores e precisamos respeita-las e acata-las, outrossim discordemos de algumas.

É saudável numa sociedade democrática, a discordância, o debate, as divergências entre cidadãos e cidadãs quanto ao melhor modo de lidar com os recursos públicos, como se deve dá a estrutura organizacional das gestões públicas… Quando estamos nos atendo a “questões públicas”, estamos falando do que é nosso!! Porquê é nosso dever zelar, contribuir a tal ao bem estar coletivo numa cidade… Daí, a população ficar atenta aos calendários das Conferências Públicas por exemplo. De sugerir, criticar, elogiar o funcionamento da esfera pública. Não ter receito, em modo ordeiro e consciente, emitir sua opinião das diversas formas possíveis – pessoalmente verbalmente às repartições, por correio eletrônico, por carta, por formulários específicos, em audiências públicas, em comunicações de mass mídia, em redes sociais… Uma opinião, uma crítica embasada, pode ajudar a gestão em sua otimização, irá trazer benefícios a toda a população ou simplesmente serve ao intuito de determinado cidadão/cidadã mostrar sua inquietação ante a decisão de poder público – todavia Legal – não referendada no seu escopo de princípios…

É o que apresento aqui, comentando sobre decisão da Sec de Educação quanto ao trato com Biblioteca Pública. Diga-se, acompanho a Biblioteca Cícero Barreto Coutinho, a única biblioteca pública da cidade em mais de 70(setenta) anos, desde tempos de minhas primeiras leituras, nos anos 80. Lá descobri o gigantismo da literatura regional, nacional e internacional. Todo um mundo das letras em todos os aspectos possíveis. “Adotei” a Biblioteca Pública Municipal de Limoeiro como espaço perene de interação a sempre frequentar, sugerir e dispor-se à colaboração em vistas de seu zelo e melhoria. Dezenas de limoeirenses inclusive, também tiveram a postura de frequentar e vivenciar felizmente a Biblioteca Pública. Qual não a surpresa, que tivemos recentemente, sob os poderes da Gestão Pública Municipal que o prédio da Biblioteca Pública deixava de ser um espaço único ( o que já não comportava seu acervo, diga-se, a necessitar de ampliação predial), vindo a acolher no piso térreo uma associação lúdica de limoeirenses – o Instituo Histórico Municipal! Onde apunhou-se ao já apertado andar de cima todo o acervo. Daí uma indignação de pronto surgida, uma interpretação de nada mais ser esta decisão de um grande descalabro à cultura, às letras, à intelectualidade local. Estamos falando de um espaço predial, que já pequeno, dispunha a toda a população, de modo competente e saudável, um inicial contato com um Gilberto Freyre, um Pereira da Costa, um Anísio Texeira, um Carlos Drumond de Andrade, uma Clarice Lispector, José Lins do Rego, Alixandre Dumas, etc, etc, etc; diversos dicionários e enciclopédias, diversos periódicos científicos e culturais, em modo de livros e revistas, modo este o mais apropriado à aprendizagem e assimilação de conteúdos, modo milenar, diga-se, de estudo, hábito ameaçado pelas redes sócias, pela Internet, mas com atenção de muitos pesquisadores, escritores, leitores, como este redator, que não se furtam em ensinar a “cultura dos livros” a jovens e crianças, também adultos.

Pois bem,

vencido o propósito de reduzir a Biblioteca Pública à metade do espaço, onde já não cabia o acervo em constante crescente, repita-se (cite-se a doação da ABL de dezenas de exemplares novos (199?); a doação da Biblioteca Nacional de centenas de obras novas de várias áreas (200?), vemos mais um descalabro – esta é nossa opinião – em aquisição pela Prefeitura Municipal de 5(cinco) bibliotecas giratórias – um armário vazado de MDF repleto de itens, é o que podemos entender- ao custo de mais de 2 milhões e meios de reais, informações que constam no Portal da Transparência do Município (vide verso deste). Ora, este valor poderia ser alocado em muitas e muitas pequenas bibliotecas pelo município, na área rural e urbana, ou, no mínimo, a ampliação do prédio da atual biblioteca pública.

Expressamos pois, nossa opinião de desagravo a esta aquisição da Secretaria de Educação de Limoeiro, reclamando a propósito, maior participação da cidadania através de Audiências Públicas e o tão prometido e ainda não aplicado orçamento Participativo.

Reitero disponibilidade de participação com sugestões e reflexões, desde que haja convite público e que seja respeitada nossa opinião que por ventura venha a ser divergente da gestão.

Walter Eudes, comunicador/artista, Limoeiro-PE – JAN-26

18/01/2026

A FAMOSA PERNA CABELUDA (do Recife – PE)

Filed under: Arquivo Geral — waltereudes @ 12:16

A FAMOSA PERNA CABELUDA (do Recife-PE)

Não é necessário maiores elucubrações para interpretar esta “invenção malassombrada” que foi notícia nos anos 70 no Recife, em Pernambuco e é, de certa forma, homenageada pelo filme Agente Secreto (Kleber Mendonça, BRASIL: 2025). Ora, nada que surja culturalmente como ícone, símbolo vem do nada, haverá sempre sinais anteriores que o forjam, que o constitue. De feita que há estruturas de fácil identificação presentes na Perna Cabeluda, estruturadas ao longo da sedimentação da cultura pernambucana -nordestina-brasileira. Vejamos quais.
1- a PERNA em si.
Vem da agilidade, força e virulência do capoeira em luta, se defendendo de inimigos, de agressores. Golpe de capoeira pode ser mortal. Esta, da lenda urbana recifense, surge sempre em contextos de violências várias, de agressividades, espancamentos. Todos os casos reais, a pôr “autoria” em uma energia sobrenatural.
Aí o segundo e terceiro aspecto.
2′- a SOBRENATURALIDADE – é característica inerente às culturas humanas, a criação de fantasias poderosas a interferir no mundo humano comum. Exemplos conhecemos vários pelo mundo todo (muitos nos dito pelo cinema, a propósito, como vampiros e lobisomem. Lendas sobrenaturais no entanto, sedimentadas em culturas específicas de dadas regiões). Em toda cultura há o sobrenatural… O fantasmagórico, forças do “além vida” que assombram, interferem e infortunam o mundo dos vivos. Das lendas nativas ameríndias, diga-se por exemplo de Comadre Florzinha e Boi Tatá.
3 – a VIOLÊNCIA URBANA – tão característica do historicismo brasileiro, presente em todas as épocas, por várias ordens de origem, se por estratégia de sobrevivência, em furtos, se por domínio de espaços urbanos entre rivais, se por desavenças pessoais, de amores, dividas; também por modos de opressão política de dominação e subjugação de contingentes populacionais – o chicote diário às costas dos escravizados, gerando as noites das cidades brasileiras oitocentistas uma superposição de gritos de dor e horror.
Então a violência é o componente de ação desta “assombração”. Difere de outras que causam impacto emocional tão somente- medo, ou que faz “travessuras”, como Comadre Florzinha que esconde coisas/objetos de seus donos.
4 – CABELUDA – arrisco dizer ser este aspecto vindo de expressão a modo interpretativo de fatos não reais, por expressão de domínio popular – justo universo de “ocorrência” da força malassombrada : “mentira cabeluda”. Porquê sabe-se, e bem se sabe, não existir nem nunca ter existido tal estrutura real. Também do repertório cultural as mentiras que, sabidas em mentiras ser, repete -se, por um comodismo de interpretação maior, por fase elaborativa de compreensão do mundo real (nas crianças), por evitar investigações contudentes das reais origens de fatos violentos cometidos por humanos, aspecto sócio -,político – econômico da época… Recaía a “elucidação” de violências urbanas, várias resultando em homicídios, atribuindo à perna cabeluda, algo similar ao que agora no século XXI se faz ao deixar de dar maior atenção a homicídios, quando vítimas de homicídio “tinham passagem pela polícia” ou “eram usuários de drogas”.
Desta receptividade pelas massas em replicar a notória mentira (e mentira cabeluda) Freyre já deu pistas interpretativa em suas primeiras obras a sinalizar uma estrutura sadomasoquista na constituição da brasilidade… E, realmente, não vai ser outra coisa… Divertir-se com o horror, que inclusive poderá ser o “brincante” a próxima vítima!

Dada estas estruturas, de ordem e origem (inconsciente coletiva), soube persona quaisquer, criar o enredo que caiu no gosto popular…
A propósito… De personagens que as massas incluem a seu repertório cotidiano de referências são dezenas e dezenas, criados, recriados, alguns novos, outros já conhecidos, está no campo do folclore; é sempre criação coletiva e que vai em alguns momentos serem abraçados pelos mass mídia na contemporâneidade a dar-lhes uma força de existência espetacular e duradoura… Mas nem isso é nenhuma novidade… Que há séculos se fazia as narrativas de assombrações, heróis, feitos e reinos encantados por menestréis, mambemes, caixeiros viajantes, etc. desde Ibéria antiga.
Por tanto, nada de novo absolutamente está contido no surgimento da lenda da perna cabeluda do Recife.
É movimento comum, ordinário das culturas…

Walter Eudes
Comunicador (às vezes, semiologo), Pernambuco.
18/01/26

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